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sábado, 14 de outubro de 2017

Vigiar olhando a Cristo Crucificado




Somente Cristo crucificado nos salvará dos demônios que nos fazem “deslizar lentamente para a mundanidade”, salvando-nos até mesmo da “insensatez” da qual fala São Paulo aos Gálatas – e “da sedução”.
(…)
O Senhor – explica o Papa – “pede para sermos vigilantes”, para não cairmos em tentação. 
Por isto, o cristão está sempre “em vigilância, vigia, está atento”, como “um sentinela”.
“(…) porque os demónios entram “na surdina”:
“Começam a fazer parte da vida. Também com as suas ideias e as suas inspirações, ajudam aquele homem a viver melhor... e entram na vida do homem, entram em seu coração e por dentro começam a mudar este homem, mas tranquilamente, sem fazer barulho.
(…)
A mundanidade, por outro lado, é “um passo adiante na ‘possessão’ do demônio”, acrescenta Francisco.
É um “encantamento”, é a “sedução”. Porque é o “pai da sedução”.
E quando o demônio entra “tão suavemente, educadamente e toma posse de nossas atitudes”, explica o Papa, os nossos valores “vão do serviço a Deus à mundanidade”.
Assim nos tornamos “cristãos mornos, cristãos mundanos” com uma “mistura” - que o Papa chama de “salada de frutas” - entre “o espírito do mundo e o espírito de Deus”.
(…)
“Vigiar significa entender o que acontece no meu coração, significa parar um pouco e examinar a minha vida.
Sou cristão?
(…)
Minha vida é cristã ou é mundana? E como posso entender isso?
A mesma receita de Paulo: olhar para Cristo crucificado.
A mundanidade só vê onde está e se destrói diante da cruz do Senhor.
E este é o propósito do Crucifixo em nossa frente: não é um ornamento;
É exatamente o que nos salva desses encantamentos, dessas seduções que nos levam à mundanidade”.
O Pontífice exorta a nos perguntarmos se olhamos para o “Cristo crucificado”, se fazemos “a Via Sacra para ver o preço da salvação”, não só dos pecados, mas também da mundanidade”:
“Então, como eu disse, o exame de consciência, para ver o que ocorre. Mas sempre diante do Cristo crucificado. A oração.
E depois, fará bem fazer-se uma fratura, não nos ossos: uma fratura nas atitudes confortáveis: as obras de caridade. Estou confortável, mas vou fazer isso, que me custa. Visitar uma pessoa doente, ajudar alguém que precisa... não sei, uma obra de caridade. E isso rompe a harmonia que procura fazer esse demônio, esses sete demônios com o chefe, para fazer a mundanidade espiritual”. (Papa Francisco. Homilia na Casa de Santa Marta 13/10/2017)

domingo, 18 de outubro de 2015

Vigilância e discernimento

Num caminho de fé “as tentações voltam sempre, o espírito ruim não se cansa nunca”. Quando é expulso “tem paciência, espera para voltar” e quando entra, cai em uma situação pior.
De fato, antes, sabia-se que era “um demônio que atormentava”.
Depois, “o Maligno se esconde, vem com seus amigos muito educados, bate à porta, pede licença, entra, convive com o homem na sua vida cotidiana e pouco a pouco, dá as instruções”. Com “esta modalidade educada” o diabo convence a “fazer as coisas com relativismo”, tranquilizando a consciência:
“Tranquilizar a consciência, anestesiar a consciência, é um grande mal. Quando o espírito ruim consegue anestesiar a consciência, pode-se falar de uma verdadeira vitória: se transforma no dono daquela consciência. ‘Mas isto acontece em todo lugar! Sim, mas todos, todos temos problemas, todos somos pecadores, todos...’ E em todos, inclui-se o ‘ninguém’. Ou seja, ‘todos menos eu’. E assim se vive a mundanidade, que é filha do espírito ruim”.
O Papa reitera as duas palavras: vigilância e discernimento:
“Vigilância: a Igreja nos aconselha sempre o exercício do exame de consciência:
o que aconteceu hoje no meu coração?
Veio a mim o demônio bem educado com seus amigos?
Discernimento: de onde vêm os comentários, as palavras, os ensinamentos... quem diz isto?
Discernir e vigilar, para não deixar entrar aquilo que engana, que seduz e fascina.
Peçamos ao Senhor a graça do discernimento e a graça da vigilância”. 
 
Homilia do Papa Francisco na Casa de Santa Marta, 9 de Outubro de 2015

domingo, 18 de janeiro de 2015

Nunca deixem de ser namorados do(a)s esposo(a)s

«Recomendo-vos que, à noite, quando fizerem o exame de consciência, façam também esta pergunta: "Hoje sonhei com o futuro dos meus filhos?"
"Hoje sonhei com o amor do meu esposo ou da minha esposa? Com os meus pais e os meus avós?" Não percam a capacidade de sonhar na família.»
«Quantas dificuldades na vida do matrimónio se resolvem se reservamos um pouco de tempo para refletir, se paramos e pensamos no outro, se sonhamos com as coisas boas que tem. «Nunca deixem de ser namorados.»
 
Papa Francisco 17-1-2015
Encontro com as Famílias nas Filipinas

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Que cruz e que ressurreição ?

Na tentação ou na luta nas pequenas coisas, aceito a Cruz com Cristo que leva sempre à Ressurreição ?

Ou

Fujo da Cruz em troca de um céu aparente e de uma ressurreição fugaz mas que me leva depois à pior das cruzes sem Cristo?

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Queremos a escravidão ou a liberdade ?

"Vivemos como filhos ou como escravos? Vivemos como pessoas batizadas em Cristo, ungidas pelo Espírito Santo, resgatadas, livre? Ou vivemos segundo a lógica mundana, corrompida, fazendo aquilo que o diabo nos faz crer que é o nosso interesse?
Há sempre no nosso caminho existencial uma tendência a resistir à libertação; temos medo da liberdade e, paradoxalmente, preferimos mais ou menos inconscientemente a escravidão. A liberdade assusta-nos porque nos coloca diante do tempo e defronte da nossa responsabilidade de o viver bem. A escravidão reduz o tempo a "momento", e assim sentimo-nos mais seguros, isto é, faz viver momentos desligados do seu passado e do nosso futuro. Por outras palavras, a escravidão impede-nos de viver plenamente e realmente o presente, porque o esvazia do passado e fecha-o ao futuro, à eternidade. A escravidão faz-nos acreditar que não podemos sonhar, voar, esperar.
(....)
No nosso coração aninha-se a nostalgia da escravidão, porque é aparentemente mais reconfortante, mais do que a liberdade, que é muito mais arriscada. 
(...)
Ao concluir este ano, no agradecer e no pedir perdão, far-nos-á bem pedir a graça de poder caminhar em liberdade para poder assim reparar os muitos danos feitos e poder defender-nos da nostalgia da escravidão, de não "nostalgiar" a escravidão.
A Virgem Santa, que está precisamente no coração do tempo de Deus, quando o Verbo - que estava no princípio - se fez um de nós no tempo; ela que deu ao mundo o Salvador, nos ajude a acolhê-lo de coração aberto, para sermos e vivermos verdadeiramente livres como filhos de Deus."
 Papa Francisco
Mensagem 31-12-2014
 

 
 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

15 doenças

A oração cotidiana, a participação assídua nos Sacramentos, de modo particular na Eucaristia e na reconciliação, o contato cotidiano com a palavra de Deus e a espiritualidade traduzida em caridade vivida são alimento vital para cada um de nós”, indicou.
Francisco lembrou que a Cúria é chamada a melhorar constantemente e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria para realizar sua missão. Porém, como todo corpo, ela também está exposta a algumas doenças, que enfraquecem o serviço a Deus.
 
O Santo Padre fez um “catálogo” dessas doenças que podem afetar a Cúria, elencando 15 itens:
 
1 – sentir-se imortal, imune ou até mesmo indispensável, negligenciando os controles necessários e habituais. “Uma Cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza é um corpo enfermo”. É o “complexo dos eleitos, do narcisismo”
 
2 – a doença do “martalismo” (que vem de Marta), da ocupação excessiva, os que trabalham sem usufruirem do melhor. A falta de repouso leva ao stress e à agitação
 
3 – a doença do “empedramento” mental e espiritual, isso é, daqueles que têm coração de pedra. Quando se perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e nos escondemos atrás de papeis, deixando de ser “homens de Deus”
 
4 – planejamento excessivo e funcionalismo, tornando o apóstolo um contador ou comercialista. “Quando o Apóstolo planifica tudo minuciosamente e pensa que assim as coisas progridem torna-se num contabilista”. É a tentação de querer pilotar o Espírito Santo
 
5 – má coordenação, sem harmonia entre as partes do “corpo”.
 
6 – “Alzheimer espiritual”, ou seja, o esquecimento da história da Salvação, da história com o Senhor, do “primeiro amor”
 
7- rivalidade e orgulho, quando a aparência, as cores das vestes e insígnias de honra tornam-se o objetivo primário da vida. “Leva-nos a ser falsos e a viver um falso misticismo”
 
8– esquizofrenia existencial, que é a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que licenciaturas ou títulos acadêmicos não podem preencher
 
9 – fofocas, murmurações e mexericos. “É a doença dos velhacos que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas. Defendamo-nos do terrorismo dos mexericos”
 
10 – a doença de divinizar os chefes, que é a daqueles que cortejam os superiores esperando obter sua benevolência. “Vivem o serviço pensando unicamente àquilo que devem obter e não ao que devem dar”. Pode acontecer também aos superiores
 
11- indiferença para com os outros. “Quando se esconde o que se sabe. Quando por ciúme sente-se alegria em ver a queda dos outros em vez de o ajudar a levantar”
 
12 – doença da “cara fúnebre”, de pessoas carrancudas que pensam que para serem sérias é preciso pintar a face de melancolia, de severidade e tratar os outros com rigidez, dureza e arrogância. “O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa cortês, serena, entusiasta e alegre e que transmite alegria…”. “Como faz bem uma boa dose de são humorismo”
 
13 – a doença do acumular, quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial no seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas para se sentir seguro
 
14 – doença dos círculos fechados, onde a pertença ao grupinho se torna mais forte que aquela ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo
 
15 – a doença do lucro mundano, do exibicionismo. “Quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poder”.
 
“Irmãos, tais doenças e tentações são naturalmente um perigo para cada cristão e para cada cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial…e podem atingir seja em nível individual seja comunitário”, disse o Papa, lembrando que apenas o Espírito Santo é capaz de curar toda enfermidade.
 
Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana 22-12-2014

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O coração fechado não numa praça pública

 
O Santo Padre destacou que é preciso proteger o coração onde mora o Espírito Santo, como se protege uma casa com a chave, a fim de que não entrem outros espíritos. Depois, vigiar o coração, como uma sentinela.
“Quantas vezes entram os maus pensamentos, as más intenções, o ciúme, a inveja. (…) Se eu não me dou conta do que entra no meu coração, ele se torna uma praça, onde todos vão e vem. Um coração sem intimidade, um coração onde o Senhor não pode falar nem ser ouvido”.
Nesse sentido, o Papa disse que se pode adotar uma prática antiga na Igreja, mas boa: o exame de consciência. Trata-se de ficar sozinho no fim do dia e se perguntar o que se passou no coração ao longo da jornada. Segundo Francisco, se a pessoa não faz isso, então não sabe realmente vigiar nem proteger o coração. Ele disse ainda que o exame de consciência é uma graça, porque proteger o coração é proteger o Espírito Santo que está lá dentro.
“Nós sabemos, Jesus fala claramente, que os demônios voltam sempre. Mesmo no fim da vida, Ele – Jesus – nos dá o exemplo disso. E para proteger, para vigiar, para que não entrem os demônios, é preciso saber recolher-se, isso é, estar em silêncio diante de si mesmo e diante de Deus, e ao fim do dia perguntar-se: ‘O que aconteceu hoje no meu coração? Entrou alguém que não conheço? A chave está no lugar?’. Isso nos ajudará a nos defendermos de tantas maldades, mesmo daquelas que nós podemos fazer, se entrarem esses demônios, que são muito espertos e no fim enganam a todos”.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Jesus em Getsemani

«[Jesus] saiu então e foi (…) para o Monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele» (Lc 22, 39).

Quando chega a hora marcada por Deus para salvar a humanidade da escravidão do pecado, Jesus retira-Se aqui, no Getsémani, ao pé do Monte das Oliveiras. Encontramo-nos neste lugar santo, santificado pela oração de Jesus, pela sua angústia, pelo seu suor de sangue; santificado sobretudo pelo seu «sim» à vontade amorosa do Pai. Quase sentimos temor de abeirar-nos dos sentimentos que Jesus experimentou naquela hora; entramos, em pontas de pés, naquele espaço interior, onde se decidiu o drama do mundo.

Naquela hora, Jesus sentiu a necessidade de rezar e ter perto d’Ele os seus discípulos, os seus amigos, que O tinham seguido e partilhado mais de perto a sua missão. Mas o seguimento aqui, no Getsémani, torna-se difícil e incerto; prevalecem a dú
vida, o cansaço e o pavor. Na rápida sucessão dos eventos da paixão de Jesus, os discípulos assumirão diferentes atitudes perante o Mestre: de proximidade, de distanciamento, de incerteza.

Será bom para todos nós –
bispos, sacerdotes, pessoas consagradas, seminaristas – perguntarmo-nos neste lugar: Quem sou eu perante o meu Senhor que sofre?

Sou daqueles que, convidados por Jesus a velar com Ele, adormecem e, em vez de rezar, procuram evadir-se fechando os olhos frente à realidade?

Reconheço-me naqueles que fugiram por medo, abandonando o Mestre na hora mais trágica da sua vida terrena?

Porventura há em mim a hipocrisia, a falsidade daquele que O vendeu por trinta moedas, que fora chamado amigo e no entanto traiu Jesus?

Reconheço-me naqueles que foram fracos e O renegaram, como Pedro? Pouco antes, ele prometera a Jesus segui-Lo até à morte (cf. Lc 22, 33); depois, encurralado e dominado pelo medo, jura que não O conhece.

Assemelho-me àqueles que já organizavam a sua vida sem Ele, como os dois discípulos de Emaús, insensatos e de coração lento para acreditar nas palavras dos profetas (cf. Lc 24, 25)?
Ou então, graças a Deus, encontro-me entre aqueles que foram fiéis até ao fim, como a
Virgem Maria e o apóstolo João? No Gólgota, quando tudo se torna escuro e toda a esperança parece extinta, somente o amor é mais forte que a morte. O amor de Mãe e do discípulo predileto impele-os a permanecerem ao pé da cruz, para compartilhar até ao fundo o sofrimento de Jesus.

Reconheço-me naqueles que imitaram o seu Mestre e Senhor até ao martírio, dando testemunho que Ele era tudo para eles, a força incomparável da sua missão e o horizonte último da sua vida?

A amizade de Jesus por nós, a sua fidelidade e a sua misericórdia são o dom inestimável que nos encoraja a continuar, com confiança, a segui-Lo, apesar das nossas quedas, erros e traições.

Todavia esta bondade do Senhor não nos isenta da vigilância frente ao tentador, ao pecado, ao mal e à traição que podem atravessar também a vida sacerdotal e religiosa. Sentimos a desproporção entre a grandeza da chamada de Jesus e a nossa pequenez, entre a sublimidade da missão e a nossa fragilidade humana. Mas o Senhor, na sua grande bondade e infinita misericórdia, sempre nos toma pela mão, para não nos afogarmos no mar do acabrunhamento.

Ele está sempre ao nosso lado, nunca nos deixa sozinhos. Portanto, não nos deixemos vencer pelo medo e o desalento, mas, com coragem e confiança, sigamos em frente no nosso caminho e na nossa missão.

 (...)

Imitemos a Virgem Maria e São João, permanecendo junto das muitas cruzes onde Jesus ainda está crucificado. Esta é a estrada pela qual o nosso Redentor nos chama a segui-Lo. Não há outra, é esta.

«Se alguém Me serve, que Me siga, e onde Eu estiver, aí estará também o meu servo» (Jo 12, 26).


Papa Francisco, 26-5-2014 Jerusalém Igreja de Getsemani

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Deserções pessoais

Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora? (Mc 14, 37). Pergunta-nos isso também a ti e a mim, que tantas vezes garantimos, como Pedro, que estávamos dispostos a segui-Lo até à morte e que, contudo, com frequência O deixamos só, adormecemos.
Devemos condoer-nos por estas deserções pessoais e pelas dos outros, e havemos de perceber que abandonamos o Senhor, talvez diariamente, quando descuidamos o cumprimento do nosso dever profissional, apostólico; quando a nossa vida interior é superficial, rotineira; quando nos desculpamos porque sentimos humanamente o peso e a fadiga; quando nos falta o entusiasmo divino para secundar a Vontade de Deus, mesmo que a alma e o corpo resistam»
 
ÁLVARO DEL PORTILLO, Carta, 1-IV-1987.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Confiança e humildade

«Devemos examinar cuidadosamente
quais são as virtudes que nos são mais necessárias
e as que nos são mais difíceis de adquirir,
os pecados em que caímos mais vezes
e as ocasiões mais frequentes e inevitáveis das nossas quedas;
d
evemos recorrer a Deus com uma inteira confiança
na ocasião do combate
 

e permanecer firme na presença de Sua divina Majestade,
adorando-O humildemente,
 

mostrando-Lhe as nossas misérias e fraquezas,
pedindo-Lhe amorosamente o socorro da Sua graça,
e assim n’Ele
encontraremos todas as virtudes,
sem nós termos nenhuma.»

Frei Lourenço da Ressurreição | 1614 – 1691
A prática da presença de Deus, VIII, 6

sábado, 8 de fevereiro de 2014

O último em tudo e o 1º no Amor de Deus

"Chego ao exame e digo:

- "Senhor, não pensei em mim mesmo, não me lembrei de mim e das minhas coisas todo o dia ?"

"As coisas feitas por Amor são sempre novas.
Empenhas-te em ser o último em tudo e o 1º no Amor de Deus ?"

Beato Alvaro del Portillo. Bispo. Carta pastoral de Janeiro de 1993.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Somos grandemente dignos de ódio

79. Para despojar-nos de nós mesmos, é preciso conhecer primeiramente e bem, pela luz do Espírito Santo:
- nosso fundo de maldade,
- nossa incapacidade para todo bem,
- nossa fraqueza em todas as coisas,
-nossa inconstância em todo tempo,
-nossa indignidade de toda graça e
- nossa iniqüidade em todo lugar.
(...) Os pecados atuais que cometemos, sejam mortais ou veniais, perdoados que estejam, aumentam em nós a concupiscência, a fraqueza, a inconstância e a corrupção, deixando maus traços em nossa alma.
Nosso corpo é tão corrompido, que o Espírito Santo (Rom 6, 6; Sl 50, 7) o chama corpo do pecado, (...) que se corrompe sempre mais cada dia, e que só engendra a doença, os vermes, a corrupção.
(...) Toda a nossa herança é orgulho e cegueira no espírito, endurecimento no coração, fraqueza e inconstância na alma, concupiscência, paixões revoltadas e doenças no corpo.
Somos, naturalmente, mais orgulhosos que os pavões, mais apegados à terra que os sapos, mais feios que os bodes, mais invejosos que as serpentes, mais glutões que os porcos, mais coléricos que os tigres e mais preguiçosos que as tartarugas; mais fracos que os caniços, e mais inconstantes do que um catavento. Tudo que temos em nosso íntimo é nada e pecado, e só merecemos a ira de Deus e o inferno eterno.
 
80. (...) A Sabedoria infinita, que não dá ordens sem motivo, só ordena que nos odiemos porque somos grandemente dignos de ódio: só Deus é digno de amor, enquanto nada há mais digno de ódio do que nós.
 
S.Luis Maria Grignion de Monfort
Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Exame de consciência, segundo S.Inácio de Loyola

Segundo o esquema de Santo Inácio, o modo de fazer o exame de consciência tem cinco passos:
1) dar graças a Deus pelos benefícios recebidos;
2) pedir graça para conhecer as nossas falhas e libertarmo-nos delas;
3) tomar consciência dos nossos pensamentos, palavras e obras desde o início do período que queremos avaliar (por exemplo, desde o levantar); pode facilitar dividir este tempo em pequenas parcelas (por exemplo, hora por hora, ou conforme os sítios por onde passámos ao longo do dia);
4) pedir perdão a Deus pelas nossas faltas;
5) propor emenda, com a sua graça.

1 e 2) Nos dois primeiros passos entramos explicitamente em oração. Na espiritualidade inaciana, o exame de consciência é um momento de oração, é relação explícita com Deus. Caso contrário, torna-se numa auto-análise e a referência que tomamos para confrontar a nossa vida pode ser bastante relativa. No primeiro passo crescemos em gratidão e aumenta a nossa consciência do amor de Deus por nós. Só assim é possível olhar para as nossas faltas com o sentido de não correspondência ao amor de Deus, em vez de um olhar moralizador de quem toma as faltas como infracções de regras (não corresponder à amizade de um amigo é muito diferente de infringir regras de trânsito!).

3) O terceiro passo é vital para que vivamos como pessoas conscientes e não como autómatos. Quantas vezes chegamos ao fim do dia e não nos lembramos do que almoçámos? Pois é... e tantas outras coisas há que, no meio da confusão e das coisas que se sucedem umas às outras, acabam por nos escapar. Como é que podemos dizer que vivemos a 100% se há coisas que nos acontecem ou que fazemos sem darmos por elas? Ao olhar a nossa vida, aqui, a referência é Deus, que podemos conhecer sempre cada vez mais através da oração, do conhecimento da Palavra de Deus, dos mandamentos da lei de Deus e da Igreja.

4) Depois, o pedido de perdão liberta-nos da arrogância de sermos nós próprios a nossa referência. Procuramos aqui fortalecer a relação com Deus e está presente o desejo de que nesta relação possamos corresponder ao amor que Ele tem por nós.

5) Por fim, com o quinto passo tomamos as rédeas da nossa vida. Esta oração tem consequências práticas. Somos nós que decidimos como queremos agir e como queremos corrigir aquilo que nos parece que está mal. Aqui o conselho é de que tenhamos paciência e não querer corrigir tudo de uma vez – nem todas as faltas, nem de uma só vez. Aos poucos, com pequenos passos, mas firmes. E no dia seguinte, ao fazer o exame de consciência, olhar estes propósitos e ver como têm tido efeito, ou não, para continuar ou afinar o nosso “remédio”.

Frederico Lemos, sj
01.06.2010

sábado, 20 de julho de 2013

Idas e vindas a Maria

"Que conta levas tu das tuas idas e vindas a Maria para chegar ao Amor ?"

D. Javier Echevarria. Bispo.
Carta Pastoral de Abril de 1995

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Perguntas do Papa Francisco: Apostolado, caridade e primeiro mandamento.

Tweeter do Papa Francisco de;
 
23/05/2013
Tenho levado o Evangelho da reconciliação e do amor aos ambientes onde vivo e trabalho ?
 
17/05/2013
A nossa vida está verdadeiramente animada por Deus?
Quantas coisas anteponho a Deus, em cada dia ?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Revê as tuas atitudes habituais

"Por isso, convencer-me-ei de que as tuas intenções de alcançar a meta são sinceras, se te vir caminhar com determinação.
Faz o bem, revendo as tuas atitudes habituais quanto à ocupação de cada instante;
pratica a justiça, precisamente nos ambientes que frequentas, ainda que a fadiga te vença;
fomenta a felicidade dos que te rodeiam, servindo os outros com alegria no lugar do teu trabalho, com esforço para o acabar com a maior perfeição possível, com a tua compreensão, com o teu sorriso, com a tua atitude cristã.
E tudo por Deus, com o pensamento na sua glória, com o olhar no alto, anelando a Pátria definitiva, pois só esse fim vale a pena".
 
S.José Maria Escrivá de Balaguer. Amigos de Deus, 211.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Lavar os nossos pés todos os dias

"Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo"
In João 12, 10

Quem vive ainda no meio do mundo e ainda não foi para a pátria celeste porque ainda caminha aqui necessariamente suja os pés com o seu caminhar, ainda que o resto do seu corpo esteja limpo.
Ou seja, ainda que estejamos em estado de graça santificante e não o percamos pela prática de qualquer pecado mortal, ainda assim, acabamos por cometer pecados veniais diariamente.
Por isso, também diariamente, ao fim do dia, no exame de consciência ou na Eucaristia (para quem a frequente todos os dias) devemos "lavar os pés" pois só assim poderemos ser instrumentos eficazes ao serviço do Senhor Jesus.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O devedor, o credor e o Avalista

Todos nós, em virtude do pecado original, nascemos já com uma dívida por pagar relacionada com as nossas más tendências, o nosso mau feitio, o nosso egoísmo inato.

Mas, a essa dívida original, acrescem, depois, ao longo da nossa vida sobre a terra, em cada dia que passa, novas e, por vezes até, mais graves dívidas decorrentes dos pecados veniais e mortais que cometemos.

Assim, à dívida original somam-se as várias dívidas diárias em que incorremos. Somos como que devedores inatos, devedores compulsivos.

O resultado dessa dívida de mal original e praticado é a entrega dos devedores ao dono do mal, isto é, ao demónio, ao inferno e a morte definitiva.

Para que nos salvemos do nosso credor, temos que pagar essa dívida e essa dívida.
Por sua vez, esta dívida só pode ser paga se, aproveitando-nos da credibilidade do nosso avalista que é Jesus Cristo, nos associarmos aos méritos obtidos por Ele, através da sua morte na Cruz, o que nos há-de levar a que nos esforcemos, nos empenhemos, nos entusiasmemos a praticar o bem e a fugir do mal.
Por outras palavras que nos esforcemos, que nos empenhemos e que nos entusiasmemos a obter "créditos" para pagar as nossas dívidas.

Ao nosso credor que é o demónio e o mal opõe-se o nosso avalista que é Jesus Cristo, alguém que está muito interessado em que paguemos as nossas dívidas. Alguém que garante que se nos esforçarmos por pagar as nossas dívidas, ainda que não o consigamos na totalidade, ele cobrirá a diferença do que falta pagar.

Portanto, quando o dia nasce, há uma dívida por pagar nesse mesmo dia. E, quando chegamos ao fim do dia e fazemos o exame de consciência vamos a prestar contas ao nosso credor e ao nosso avalista.
O nosso credor fica fulo porque conseguimos "créditos" para amortizar na nossa dívida, enquanto o nosso avalista Jesus Cristo fica alegre porque aliviámos a sua dívida e aliviámos a diferença que Ele próprio teria que pagar, caso não diminuíssemos o valor dessa dívida.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A importância da luta pela santidade

Segundo o Santo Padre Bento XVI, a luta pela santidade há-de traduzir-se numa "atenção recíproca (que) tem como finalidade estimular-se, mutuamente, a um amor efectivo sempre maior, «como a luz da aurora, que cresce até ao romper do dia» (Prov 4, 18), à espera de viver o dia sem ocaso em Deus.
Para isso, há que aproveitar cada segundo do tempo de vida que nos é concedido:
"O tempo, que nos é concedido na nossa vida, é precioso para descobrir e realizar as boas obras, o amor de Deus".
Não basta manter as conquistas já realizadas, em certas virtudes ou bons hábitos, tal como trabalhador que quis manter e guardar a moeda que conquistou.
Há que tentar mais e melhor, sempre.
"Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua".
Então, em cada dia, deve haver um avanço nas atitudes, nos hábitos, na forma como ocupámos o nosso tempo ou, se já fazemos tudo o que devíamos, na forma e na intensidade como ocupamos o nosso tempo.

terça-feira, 22 de março de 2011

Quem me livra deste corpo de morte ?

Escrevia alguém, a propósito, desta frase de S.Paulo e da importância, no progresso na vida espiritual, para uma permanente consciencialização de que, na realidade, não somos mesmo nada:
"Sou um seropositivo espiritual, concupiscente, hipersensitivo, verrinoso, com a forte e despudorada convicção de que tudo posso, confiando nas minhas próprias forças, além de manifestar uma enorme comiseração por mim próprio (porque tenho pouco descanso, poucos divertimentos, pouco destaque, etc...) e diabético dependente de insulina, com coração de pedra, luxurioso, irreflectido, comodista e sempre em busca de compensações"

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