quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Cristãos a meio gás

"Fomos re-feitos em Cristo! O que Cristo fez em nós foi uma re-criação! O sangue de Cristo nos regenerou. Trata-se de uma segunda criação. Antes, toda a nossa vida, o nosso corpo, a nossa alma, os nossos costumes estavam na estrada do pecado, da iniqüidade. Nesta nova criação, devemos esforçar-nos para caminhar em direção à justiça e à santificação”.
Viver como cristão, explicou o Pontífice, é continuar na fé em Cristo, na sua recriação. Com a fé realizamos a “obra de santificação”, que recebemos no Batismo. Na estrada da santificação, o sacramento da Penitência nos ajuda a sarar das nossas imperfeições e fraquezas. Não devemos ser cristãos insípidos.
"É preciso deixar de lado tudo aquilo que nos distancia de Jesus Cristo e refazer tudo do início. Tudo é novidade em Cristo! Tantos outros cristãos fizeram a mesma coisa, tantos santos, até aqueles anônimos, que vivem o cristianismo seriamente. Todos nós fomos santificados pelo sangue de Cristo!”.

“Fomos refeitos em Cristo! Aquilo que fez Cristo em nós é uma recriação: o sangue de Jesus recriou-nos. É uma segunda criação! Se antes toda a nossa vida, o nosso corpo, a nossa alma, os nossos hábitos estavam no caminho do pecado, da iniquidade, depois desta recriação devemos fazer o esforço de caminhar pelo caminho da justiça, da santificação. Utilizai esta palavra: a santidade. Todos nós fomos batizados: naquele momento, os nossos pais – nós eramos crianças – em nosso nome fizeram um ato de fé: Creio em Jesus Cristo, que nos perdoou os pecados. Creio em Jesus Cristo.”
“Viver como cristão significa assumir um estilo de vida que vive nesta recriação de Jesus e fieis ao nosso batismo. E não é mais possível dizer que se acredita em Jesus “mas vive-se como se quer! Isso não pode ser”, afirmou o Santo Padre.
Viver no caminho da santificação com as nossas imperfeições, debilidades e pecados assumindo o desafio do perdão e da reconciliação para – como afirmou o Papa Francisco – não sermos “cristãos de meio caminho”.
“Sem esta consciência do antes e do depois, de que nos fala Paulo, o nosso cristianismo não serve para ninguém! E mais: segue no caminho da hipocrisia. Digo que sou cristão mas vivo como pagão! Ás vezes dizemos ‘cristãos de meio caminho’, que não tomam isto seriamente. Somos santos, justificados, santificados pelo sangue de Cristo: tomar esta santificação e seguir com ela em frente!”
 
Homilia do Papa Francisco de 24-10-2013 

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

As nossas fraquezas estão em todo o lugar

"(...) as nossas fraquezas estão em todo lugar, também o diabo está em todo lugar, as tentações estão em todo lugar, mas é preciso sempre provar-nos"


DISCURSO Papa Francisco
Audiência com os participantes da Conferência Nacional dos Capelães dos Presídios Italianos

Sala Paulo VI
Quarta-feira, 23 de outubro de 2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Ser lince consigo mesmo

«Ser muito indulgentes para com os outros
e, connosco mesmas, muito rigorosas.
Outro dia disseram-me a este respeito
um pensamento que gostei muito:
“ser toupeira com o próximo
e lince para consigo mesmos”,
isto é,
não ver os defeitos alheios,
mas os nossos.»

Santa Teresa dos Andes | 1900-1920
Carta 101

Cada batizado é "cristoforo"

"Há necessidade de cristãos que tornem visível aos homens de hoje a misericórdia de Deus, a sua ternura por cada criatura. 
(...)
 a nova evangelização, enquanto chama a ter coragem de ir contracorrente, de converter-se dos ídolos ao único e verdadeiro Deus, não pode deixar de usar a linguagem da misericórdia, feita de gestos e de atitudes antes ainda que de palavras.
(...)
Cada batizado é “cristóforo”, isso é, portador de Cristo, como diziam os antigos padres.
Quem encontrou Cristo, como a Samaritana no poço, não pode reter para si esta experiência, mas sente o desejo de partilhá-la, para levar outros a Jesus (cfr Jo 4).
Todos hão de se perguntar se quem nos encontra percebe na nossa vida o calor da fé, vê na nossa face a alegria de ter encontrado Cristo!"
 
Papa Francisco
Audiência com os participantes da Plenária do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova EvangelizaçãoVaticano, 14 de outubro de 2013

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

aprender a dominar-se

«Podes fazer muitas coisas,
mas se não aprenderes a negar a tua vontade
e a dominar-te,
não te preocupando contigo
nem com as tuas coisas,
não avançarás na perfeição.»

S. João da Cruz | 1542 – 1591
Ditos de Luz e Amor, 71

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Os pecados não podem ser maus hábitos

Não deixes que os teus pecados se transformem em maus hábitos

Santa Teresa de Ávila (1515-1582)

domingo, 13 de outubro de 2013

Que Deus se torne carne em nós

"Entretanto aquilo que aconteceu de uma forma única na Virgem Mãe, sucede a nível espiritual também em nós, quando acolhemos a Palavra de Deus com um coração bom e sincero, e a pomos em prática.
É como se Deus tomasse carne em nós:
Ele vem habitar em nós, porque faz morada naqueles que O amam e observam a sua Palavra.
Não é fácil entender isto, mas, sim é fácil senti-lo no coração.
Pensamos que a encarnação de Jesus é um facto apenas do passado, que não nos toca pessoalmente? Crer em Jesus significa oferecer-Lhe a nossa carne, com a humildade e a coragem de Maria, para que Ele possa continuar a habitar no meio dos homens;
significa oferecer-Lhe as nossas mãos, para acariciar os pequeninos e os pobres;
os nossos pés, para ir ao encontro dos irmãos;
os nossos braços, para sustentar quem é fraco e trabalhar na vinha do Senhor;
a nossa mente, para pensar e fazer projetos à luz do Evangelho;
e sobretudo o nosso coração, para amar e tomar decisões de acordo com a vontade de Deus.
Tudo isto acontece graças à ação do Espírito Santo.
E assim, somos os instrumentos de Deus para que Jesus possa atuar no mundo por meio de nós".

Papa Francisco 12-X-2013

Agradecer a Deus e à nossa família

"Dizer obrigado parece tão fácil, e todavia é tão difícil!
Quantas vezes dizemos obrigado em família?
Esta é uma das palavras-chaves da convivência.
“Com licença”, “perdão”, “obrigado”: se numa família se dizem estas três palavras, a família segue adiante.
“Com licença”, “perdão”, “obrigado”.
Quantas vezes dizemos “obrigado” junto da família?
Quantas vezes dizemos obrigado a quem nos ajuda, vive perto de nós e nos acompanha na vida? Muitas vezes damos tudo isso como suposto!
E o mesmo acontece com Deus.
É fácil ir até ao Senhor para pedir alguma coisa, mas ir agradece-Lo… “Ah, isso é difícil”.

Papa Francisco
Homilia 13-X-2013

sábado, 12 de outubro de 2013

Vigilância contra as ciladas do demónio

O Papa Francisco considerou que não devemos ser ingénuos e estar sempre vigilantes às investidas do maligno. Segundo o Santo Padre, se não guardamos o bem, aparece o mal que é mais forte do que nós. Apontou o nosso caminho cristão para lutar contra as tentações e especificou que existem três critérios para discernir a presença do mal nas nossas vidas: o primeiro critério é não confundir a verdade – Jesus luta contra o diabo. O segundo critério é que quem não é com Jesus é contra Jesus – não pode haver, portanto, atitudes pela metade. E o terceiro critério é a vigilância sobre o nosso coração, porque o demónio é astuto e nunca é expulso para sempre, pois só no último dia isso acontecerá!
O demónio está sempre à espreita e redobra as suas forças com as nossas fraquezas e debilidades, sobretudo, quando não estamos atentos. Por isso, o Papa Francisco afirmou que o demónio tem uma estratégia e reforçou o seu apelo à vigilância:
“A vigilância, porque a estratégia dele é aquela: ‘ Tu fizeste-te cristão, continua com a tua fé, eu deixo-te, deixo-te tranquilo. Mas depois quando tu estás habituado e não fazes tanta vigilância e sentes-te seguro, eu volto.’ O Evangelho de hoje começa com o demónio expulso e acaba com o demónio que volta! S. Pedro dizia : é como um leão feroz, que anda à nossa volta. E é assim, Mas, Padre, o senhor é bocado antiquado, está a assustar-nos com estas coisas... Nao, eu não! É o Evangelho! E isto não são mentiras , é a Palavra do Senhor!
Peçamos ao Senhor a graça de tomar a sério estas coisas. Ele veio lutar pela nossa salvação. Ele venceu o demónio! Por favor, não façamos negócios com o demónio! Ele tenta de voltar para casa e tomar de posse de nós...Não relativizar, vigiar! E sempre com Jesus!”

Papa Francisco
11-X-2013

A oração tem de ser corajosa

uma oração que não seja corajosa – afirmou o Pontífice – não é uma oração verdadeira». Quando rezamos é necessária «a coragem de acreditar que o Senhor nos ouve, a coragem de bater à porta. O Senhor diz, porque  quem pede recebe e a quem procura e bate a porta se abrirá».

Papa Francisco 10-X-2013

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Recomeçar, multiplicando os atos de fé e de amor

«Levantando-me depois das quedas,
e multiplicando os actos de fé
e de amor,
cheguei a um estado
em que me seria tão pouco possível
não pensar em Deus,
como me foi difícil
habituar-me ao princípio.»
Frei Lourenço da Ressurreição | †1691
A Prática da Presença de Deus, II, 3

Rezar por quem não reza

«Assim como Deus não dispensa as Suas graças aos homens
senão através da oração,
porque quer que O reconheçamos
através da fonte de onde dimana todo o bem,
tão-pouco quer salvar-nos dos perigos
nem curar as feridas,
nem consolar-nos nas aflições
a não ser pela oração.
E como nem todos os que sofrem
estão dispostos a pedir remédio a Deus,
para não os excluir da Sua proteção e misericórdia divina,
contenta-Se que outros Lhe peçam em seu nome.
Por isso:
fazei oração uns pelos outros…
Quer dizer:
Deus dispôs que a oração seja o meio
pelo qual os homens recebem as Suas graças,
sejam salvos e curados dos seus males;
Ele quer que todos O reconheçam como Senhor da vida e da morte,
da saúde e da doença:
“Ele é quem dá a morte e dá a vida”.»


Beato Francisco Palau | †1872
Luta da alma com Deus,
Carta de um diretor nº 8,22 e ss

sábado, 28 de setembro de 2013

Creio na mesquinhez da minha alma; creio na morte diária que me sorri

"Quero crer em Deus Pai, que me ama como filho, e em Jesus, o Senhor, que infundiu o seu Espírito na minha vida, para me fazer sorrir e levar-me assim para o Reino Eterno da vida.
(...)
Creio na mesquinhez da minha alma, que procura engolir sem dar...sem dar.
(...)
Creio na morte diária, ardente, de que fujo, mas que me sorri convidando-me a aceitá-la.
(...)
Creio em Maria, minha mãe, que me ama e nunca me deixará só"

Profissão de fé escrita por Jorge Bergoglio pouco antes de ser ordenado.

Papa Francisco- Conversas com Jorge Bergoglio. Paulinas. Pág. 131

Sermos nós a afogar-nos

"Há pessoas que se julgam justas, que de algum modo aceitam a catequese, a fé cristã, mas não têm a experiência de terem sido salvas.
Uma coisa é contarem-nos que um rapaz estava a afogar-se no rio e uma pessoa atirou-se para o salvar.
Outra coisa é vermos isso e outra ainda é sermos nós a afogar-nos e vir outro atirar-se para nos salvar.
(...)
Penso que só nós, os grandes pecadores, temos essa graça."

Papa Francisco- Conversas com Jorge Bergoglio. Paulinas. Pág. 102

sábado, 21 de setembro de 2013

A santidade como constância


 "Associo frequentemente a santidade à paciência: não só a santidade como hypomoné, o encarregar-se dos acontecimentos e circunstâncias da vida, mas também como constância no seguir em frente dia após dia".


Papa Francisco 20-IX-2013 Entrevistado pelo Padre Antonio Spadaro, SJ | Brotéria

Valorizar as coisas pequenas no interior de grandes horizontes


 "Esta virtude do grande e do pequeno é a magnanimidade, que da posição em que estamos nos faz olhar sempre o horizonte.
É fazer as coisas pequenas de cada dia com o coração grande e aberto a Deus e aos outros.
É valorizar as coisas pequenas no interior de grandes horizontes, os do Reino de Deus».



Papa Francisco 20-IX-2013 Entrevistado pelo Padre Antonio Spadaro, SJ | Brotéria

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Quotidie Morior


81. Em segundo lugar, para nos despojar de nós mesmos, é

preciso morrer todos os dias. Isto quer dizer que é preciso

renunciar às operações das potências da nossa alma e dos sentidos

do nosso corpo, ou seja: temos de ver como se não víssemos,

de ouvir como se não ouvíssemos, de nos servir das

coisas deste mundo como se delas não nos servíssemos (1
 

Cor 7, 29-31). É a isto que São Paulo chama de morrer todos

os dias Quotidie Morior (1 Cor 15, 31). “Se o grão de trigo cai à Terra e não

morre, permanece só e não produz fruto” (Jo 12, 24). Se não
 
 
morrermos para nós mesmos, e se as nossas devoções mais

santas não nos levam a esta morte necessária e fecunda, não

daremos fruto que valha. Porque então as nossas devoções

tornar-se-ão inúteis, todas as nossas boas obras serão manchadas

pelo amor próprio e pela nossa vontade própria, o que

fará com que Deus abomine os maiores sacrifícios e as melhores

ações que possamos fazer. E, nesse caso, encontrarnos-

emos com as mãos vazias de virtudes e méritos na hora da

nossa morte, e não teremos sequer uma centelha de Puro Amor,

pois este só é dado às almas mortas para si mesmas e cuja vida

está oculta com Jesus Cristo em Deus (Cl 3, 3).
Ponto 81
Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria , Luis Maria Grignion de Monfort

Os germes de novos mundos

"(Nós os católicos) Ignoramos a tensa expetativa com que o Céu está pendente das nossa opções mais incipientes.
Não sabemos que aqui, nas pequenas oportunidades de cada dia, se escondem os germes de novos mundos que podem nascer para Deus ou ser esmagados em embrião pela nossa incúria.
(....)
Se ao menos estivéssemos olhos para ver, compreenderíamos que Jesus está ao nosso lado, com os sinais da agonia no rosto, esperando por alguém que o console, mas sem achar ninguém (Salmo 68, 21). Está ao nosso lado e nós tagarelamos distraídos, enquanto subimos o caminho que leva ao lugar onde se consuma a tragédia, lá onde Ele pende suspenso entre o céu e a terra, vindo de um e rejeitado pela outra"

A Amizade com Cristo. Robert Hugh Benson. Quadrante. SPaulo. 1996. Págs. 89 e 90

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Entrevista do Papa

A fórmula de aceitação da eleição como Santo Padre, podia ser a fórmula que qualquer cristão poderia dizer ao Senhor, ao levantar-se de manhã.

Aí está presente a Misericórdia e a Paciência de Deus, a nossa condição de pecadores e a necessidade de um espírito permanente de penitência.

: Peccator sum, sed super misericordia et infinita patientia Domini nostri Jesu Christi, confusus et in spiritu penitentiae, accepto». (Sou pecador, mas confiado na misericórdia e paciência infinita de Nosso Senhor Jesus Cristo, confundido e em espírito de penitência, aceito).

Entrevista ao Papa Francisco 20-IX-2013

Como é que o Papa reza

«Rezo o Ofício todas as manhãs. Gosto de rezar com os Salmos. Depois, a seguir, celebro a Missa. Rezo o Rosário. O que verdadeiramente prefiro é a Adoração vespertina, mesmo quando me distraio e penso noutra coisa ou mesmo quando adormeço rezando. Assim, à tarde, entre as sete e as oito, estou diante do Santíssimo durante uma hora, em adoração. Mas também rezo mentalmente quando espero no dentista ou noutros momentos do dia».


«E a oração é para mim uma oração “memoriosa”, cheia de memória, de recordações, também memória da minha história ou daquilo que o Senhor fez na sua Igreja ou numa paróquia particular.
Para mim é a memória de que Santo Inácio fala na Primeira Semana dos Exercícios, no encontro misericordioso com Cristo Crucificado.
E pergunto-me:
“Que fiz por Cristo?
 Que faço por Cristo?
Que farei por Cristo?”
É a memória de que fala Inácio também na Contemplatio ad amorem, quando pede para trazer à memória os benefícios recebidos.

 


 20-IX-2013 
Papa Francisco

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