domingo, 4 de janeiro de 2015

A obediência equipara-se ao martírio da decapitação

"«A perfeição do religioso consiste, segundo S. Boaventura, na renúncia à própria vontade que é de tal valor e mérito que se equipara ao martírio pois se o machado do verdugo faz rodar por terra a cabeça da vítima, a espada da obediência imola a Deus a vontade que é a cabeça da alma»
 
As nossas regras são uma mina inesgotável para o Céu (...).
Contra a obediência, com efeito, não há senão pecado e imperfeição; sem ela, os actos más excelentes desmerecem; con ela o que não está proibido chega a ser virtude, o bom faz-se melhor.
Introduz na alma todas as virtudes, e uma vez introduzidas conserva-as», multiplica os actos do espírito, santificando todos os momentos da nossa vida; nada deixa à natureza, senão tudo a Deus.
O Divino Mestre, segundo a bela expressão de San Bernardo, «tomou em tão grande estima esta virtude que se fez obediente até à morte, querendo antes perder a vida do que a obediência".
 
"O Santo Abandono", Página 17.
Dom Vital Lehoday 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Jesus existiu mesmo ?



Nas "Antiguidades judaicas", o historiador judeu Flávio Josefo (que morreu cerca do ano 100) alude a Jesus no âmbito do processo de Tiago, «irmão de Jesus, chamado o Cristo».
Arquivista na corte do imperador Adriano, Suetónio evoca em "As vidas dos doze césares" «judeus que não cessavam de perturbar a cidade (Roma) por causa de um certo "Christus"». Tácito, outro historiador romano, descreve o incêndio que destruiu Roma em 64, causado, segundo o imperador Nero, pelos cristãos: «Este nome de cristão vem-lhes do nome de Cristo, que foi condenado no reino de Tibério, pelo procurador Pôncio Pilatos (...)».
Encontram-se outras alusões a Cristo e aos seus seguidores no governador Plínio, o Jovem (61-114), no filósofo romano Celso (séc. II) e também no Talmude de Babilónia, que reteve por escrito, no séc. IV, toda a tradição judaica oral: «Na véspera da Páscoa, suspendeu-se Yeshu (...)».
Esta acumulação de testemunhos judaicos e romanos, insuspeitos de simpatias, e até mesmo hostis ao cristianismo, sustenta a convicção dos cientistas quanto à existência histórica de Jesus.
Recentemente, descobertas arqueológicas vieram corroborar a existência de personagens e práticas citadas nos Evangelhos. A base de uma estátua com os nomes de Tibério e Pôncio Pilatos foi exumada em Cesareia, atual Israel, em 1961.

 
 In "Pèlerin" 
Trad. / edição: Rui Jorge Martins 

Que amoleça este coração

«Rezai muito por mim a Jesus, a fim que amoleça bem este coração endurecido e se torne totalmente abrasado pelo amor».

Santa Teresa Margarida de Redi | 1747 - 1770 Carta 11

Dá ao Teu Deus o mais que puderes

«O Verbo Se fez Carne;
o Amor tornou-Se visível:
Não pede outra coisa senão amor.
Dá ao Teu Deus o mais que puderes:
amando, tanto mais o amor cresce.»

Beata Maria Cândida da Eucaristia | 1884 - 1949
Novenas, Pensamentos e Poesias, 42

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Queremos a escravidão ou a liberdade ?

"Vivemos como filhos ou como escravos? Vivemos como pessoas batizadas em Cristo, ungidas pelo Espírito Santo, resgatadas, livre? Ou vivemos segundo a lógica mundana, corrompida, fazendo aquilo que o diabo nos faz crer que é o nosso interesse?
Há sempre no nosso caminho existencial uma tendência a resistir à libertação; temos medo da liberdade e, paradoxalmente, preferimos mais ou menos inconscientemente a escravidão. A liberdade assusta-nos porque nos coloca diante do tempo e defronte da nossa responsabilidade de o viver bem. A escravidão reduz o tempo a "momento", e assim sentimo-nos mais seguros, isto é, faz viver momentos desligados do seu passado e do nosso futuro. Por outras palavras, a escravidão impede-nos de viver plenamente e realmente o presente, porque o esvazia do passado e fecha-o ao futuro, à eternidade. A escravidão faz-nos acreditar que não podemos sonhar, voar, esperar.
(....)
No nosso coração aninha-se a nostalgia da escravidão, porque é aparentemente mais reconfortante, mais do que a liberdade, que é muito mais arriscada. 
(...)
Ao concluir este ano, no agradecer e no pedir perdão, far-nos-á bem pedir a graça de poder caminhar em liberdade para poder assim reparar os muitos danos feitos e poder defender-nos da nostalgia da escravidão, de não "nostalgiar" a escravidão.
A Virgem Santa, que está precisamente no coração do tempo de Deus, quando o Verbo - que estava no princípio - se fez um de nós no tempo; ela que deu ao mundo o Salvador, nos ajude a acolhê-lo de coração aberto, para sermos e vivermos verdadeiramente livres como filhos de Deus."
 Papa Francisco
Mensagem 31-12-2014
 

 
 

domingo, 28 de dezembro de 2014

Pedir a graça da coerência

"Para acolher verdadeiramente Jesus na nossa existência e prolongar a alegria da noite santa, o caminho é precisamente o indicado pelo Evangelho de hoje, isto é, dar testemunho de Jesus na humildade, no serviço silencioso, sem medo de andar contracorrente e de sofrer as consequências. E se nem todos são chamados, como Santo Estêvão, a derramar o próprio sangue, a cada cristão, todavia, é pedido que seja coerente em cada circunstância com a fé que professa. E a coerência cristã é uma graça que devemos pedir ao Senhor. Ser coerentes, viver como cristãos, e não dizer «sou cristão» e viver como pagão. A coerência é uma graça a pedir hoje.
Seguir o Evangelho é decerto um caminho exigente, mas belo, belíssimo, e quem o percorre com fidelidade e coragem recebe o dom prometido pelo Senhor aos homens e às mulheres de boa vontade. Como cantavam os anjos no dia de Natal: «Paz! Paz!». Esta paz dada por Deus é capaz de confortar a consciência daqueles que, através das provações da vida, sabem acolher a Palavra de Deus e se comprometem a observá-la com perseverança até ao fim. (....)
Não esqueceis: coerência cristã, isto é, pensar, sentir e viver como cristão, e não pensar como cristão e viver como pagão: isso não! Hoje peçamos a Santo Estêvão a graça da coerência cristã. E por favor, continuai a rezar por mim, não o esqueceis".
 
Papa Francisco 
Alocuções antes e após oração do Angelus, Vaticano, 26.12.2014 
Trad. / edição: Rui Jorge Martins 
Publicado em 26.12.2014
 
 
L’arcivescovo francese Jean Honoré (1920-2013), già membro del comitato di redazione del Catechismo che aveva lavorato sotto il coordinamento del cardinale Joseph Ratzinger, lo aveva scritto anche su L'Osservatore Romano, in un articolo del 27 gennaio '93: «Non dando tutto il rilievo dovuto all'azione preveniente della grazia del Signore, e alla presenza interiore dello Spirito» aveva scritto il futuro cardinale Honoré, raccontando il lavoro di stesura «il Catechismo rischiava di non integrare al suo interno uno dei dati - il più fondamentale - dell'agire morale secondo il Vangelo. Si era voluto evitare la trappola della casistica. Si sfiorava quella del moralismo. Al limite, il nostro progetto conservava una tonalità pelagiana che era importante correggere».
 Comentário de Gianni Valente (26/12/2015) Vatican Insider

Papa Francesco, quando richiama alla coerenza i cristiani, riafferma sempre la continua dipendenza dalla grazia.
Per lui, chi rivendica magari con ostentazione la propria identità cristiana e poi vive ordinariamente nell’incoerenza, finisce per oscurare proprio quella dinamica sovrannaturale per cui sia il diventare cristiani che il comportarsi da cristiani sono frutto della grazia e non esito di una propria prestazione.
Per questo, e non per un perfezionismo rigorista, l’incoerenza dei cristiani dà scandalo. E per lo stesso motivo, lo spettacolo della coerenza non desta solo ammirazione morale, ma può aprire a qualcosa d’altro.
 «Se ti trovi davanti un ateo che ti dice che non crede in Dio» ha detto Papa Francesco nell’omelia di Santa Marta lo scorso 27 febbraio «tu puoi leggergli tutta una biblioteca dove si dice che Dio esiste, e anche si prova che Dio esiste, e lui non avrà fede… Ma se davanti a questo ateo tu dai testimonianza di coerenza e di vita cristiana, qualcosa comincerà a lavorare nel suo cuore». E «sarà proprio la tua testimonianza che a lui porterà l’inquietudine sulla quale lavora lo Spirito Santo».
 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

15 doenças

A oração cotidiana, a participação assídua nos Sacramentos, de modo particular na Eucaristia e na reconciliação, o contato cotidiano com a palavra de Deus e a espiritualidade traduzida em caridade vivida são alimento vital para cada um de nós”, indicou.
Francisco lembrou que a Cúria é chamada a melhorar constantemente e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria para realizar sua missão. Porém, como todo corpo, ela também está exposta a algumas doenças, que enfraquecem o serviço a Deus.
 
O Santo Padre fez um “catálogo” dessas doenças que podem afetar a Cúria, elencando 15 itens:
 
1 – sentir-se imortal, imune ou até mesmo indispensável, negligenciando os controles necessários e habituais. “Uma Cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza é um corpo enfermo”. É o “complexo dos eleitos, do narcisismo”
 
2 – a doença do “martalismo” (que vem de Marta), da ocupação excessiva, os que trabalham sem usufruirem do melhor. A falta de repouso leva ao stress e à agitação
 
3 – a doença do “empedramento” mental e espiritual, isso é, daqueles que têm coração de pedra. Quando se perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e nos escondemos atrás de papeis, deixando de ser “homens de Deus”
 
4 – planejamento excessivo e funcionalismo, tornando o apóstolo um contador ou comercialista. “Quando o Apóstolo planifica tudo minuciosamente e pensa que assim as coisas progridem torna-se num contabilista”. É a tentação de querer pilotar o Espírito Santo
 
5 – má coordenação, sem harmonia entre as partes do “corpo”.
 
6 – “Alzheimer espiritual”, ou seja, o esquecimento da história da Salvação, da história com o Senhor, do “primeiro amor”
 
7- rivalidade e orgulho, quando a aparência, as cores das vestes e insígnias de honra tornam-se o objetivo primário da vida. “Leva-nos a ser falsos e a viver um falso misticismo”
 
8– esquizofrenia existencial, que é a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que licenciaturas ou títulos acadêmicos não podem preencher
 
9 – fofocas, murmurações e mexericos. “É a doença dos velhacos que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas. Defendamo-nos do terrorismo dos mexericos”
 
10 – a doença de divinizar os chefes, que é a daqueles que cortejam os superiores esperando obter sua benevolência. “Vivem o serviço pensando unicamente àquilo que devem obter e não ao que devem dar”. Pode acontecer também aos superiores
 
11- indiferença para com os outros. “Quando se esconde o que se sabe. Quando por ciúme sente-se alegria em ver a queda dos outros em vez de o ajudar a levantar”
 
12 – doença da “cara fúnebre”, de pessoas carrancudas que pensam que para serem sérias é preciso pintar a face de melancolia, de severidade e tratar os outros com rigidez, dureza e arrogância. “O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa cortês, serena, entusiasta e alegre e que transmite alegria…”. “Como faz bem uma boa dose de são humorismo”
 
13 – a doença do acumular, quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial no seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas para se sentir seguro
 
14 – doença dos círculos fechados, onde a pertença ao grupinho se torna mais forte que aquela ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo
 
15 – a doença do lucro mundano, do exibicionismo. “Quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poder”.
 
“Irmãos, tais doenças e tentações são naturalmente um perigo para cada cristão e para cada cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial…e podem atingir seja em nível individual seja comunitário”, disse o Papa, lembrando que apenas o Espírito Santo é capaz de curar toda enfermidade.
 
Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana 22-12-2014

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Uma pessoa enamorada enche o dia de delicadezas

"Uma pessoa enamorada enche o dia de delicadezas, não contorna o sacrifício, nem a entrega, nem se deixa levar por desculpas ou regateios.
Essa alma, ainda sendo feliz, nunca está satisfeita da sua entrega ao amado: menos ainda, quando é Deus o mote do seu amor"


Beato Álvaro del Portillo. Bispo.

In Recuerdo de Alvaro del Portillo. Prelado do Opus Dei. Salvador Bernal, Rialp, pág. 20

Um farol na noite

´"Não é um estado de ânimo, nem depende da saúde, nem da situação profissional ou familiar em que um se encontre.
Por cima da ressaca da vida, com os seus altos e baixos, com as suas dores e alegrias, a nossa vocação divina brilha sempre como um farol na noite, assinalando inequivocamente o rumo do nosso caminhar para Deus.
Isto é o que conta, minhas filhas e meus filhos.
Isto é o definitivo.
Tudo o resto que possa acontecer-nos, é transitório.
Não o esqueçamos nunca !"

Beato Álvaro del Portillo. Bispo.

In Recuerdo de Alvaro del Portillo. Prelado do Opus Dei. Salvador Bernal, Rialp, pág. 20

domingo, 30 de novembro de 2014

Minha alma anseia pelos átrios do Senhor

Salmo Responsórial (Sl 83)

— Eis a tenda de Deus, no meio do povo!
— Eis a tenda de Deus no meio do povo!

— Minha alma desfalece de saudades e anseia pelos átrios do Senhor!

- Meu coração e minha carne rejubilam e exultam de alegria no Deus vivo!

— Mesmo o pardal encontra abrigo em vossa casa, e a andorinha ali prepara o seu ninho, para nele seus filhotes colocar: vossos altares, ó Senhor Deus do universo!
(....)

— Felizes os que habitam vossa casa; para sempre haverão de vos louvar!

- Felizes os que em vós têm sua força, caminharão com um ardor sempre crescente.

sábado, 22 de novembro de 2014

A Eucarístia nas palavras do Beato D. Álvaro del Portillo

Para o Beato D. Álvaro del Portillo, Bispo, o sacrifício Eucarístico era "o prodígio inefável que a Omnipotência de Deus renova em cada dia"

E, em 1998, no auditório da Universidade de Montreal do Canadá, em 1988, dizia o seguinte:
"Deus é infinitamente Poderoso, infinitamente Belo. Não podemos imaginar como é. A música mais doce, a sinfonia mais maravilhosa, as cores mais incrivelmente belas, todo o mundo e o universo inteiro é nada ao seu lado.
E esse Deus infinitamente grande, infinitamente poderoso, infinitamente formoso, oculta-se sobre a aparência de pão, para que nós possamos aproximar-nos d'Ele com confiança".

Cfr. Recordações do Beato Álvaro del Portillo. Salvador Bernal. Edições Rialp. Página 86 e 87.

Deus é o nosso cirurgião


Resposta do Beato Álvaro del Portillo a uma comunicação que lhe fez o então Bispo de Madrid relativamente a uma dificuldade que tinha surgido:
 
"Não se preocupe, Sr Bispo. Nós vemos que isto é algo que Deus permite para que, com o sacrifício que nos manda, sejamos melhores; e estamos contentes porque quando um bom cirurgião quere fazer uma boa operação, escolhe um bom instrumento e o Senhor quis utilizar um bisturi de platina para esta contradição".
 
 
In Recordações do Beato Álvaro del Portillo. Salvador Bernal. Edições Rialp. Página 81

Maria santifica as pequenas coisas

"Maria santifica as mais pequenas coisas, aquilo que muitos consideram erradamente como não transcendente e sem valor:
o trabalho de cada dia,
os pormenores de atenção com as pessoas queridas,
as conversas e as visitas por motivo de parentesco ou de amizade...
 
Bendita normalidade, que pode estar cheia de tanto amor de Deus!

Na verdade, é isso o que explica a vida de Maria: o amor.
Um amor levado até ao extremo, até ao esquecimento completo de si mesma, contente por estar onde Deus quer que esteja e cumprindo com esmero a vontade divina.
Isso é o que faz com que o mais pequeno dos seus gestos nunca seja banal, mas cheio de significado. Maria, nossa Mãe, é para nós exemplo e caminho.
Havemos de procurar ser como Ela nas circunstâncias concretas em que Deus quis que vivêssemos.

Procedendo deste modo, daremos aos que nos cercam o testemunho de uma vida simples e normal, com as limitações e com os defeitos próprios da nossa condição humana, mas coerente"

S. José Maria Escrivá. É Cristo que passa. Ponto 148

Um dia com o Beato Álvaro del Portillo

"Uma noite de 1985,anotei (...)
«Um dia mais, muito normal em tudo, com esse tom sereno -cheio de oração e de trabalho- que se vive sempre junto a dom Álvaro»"

 Salvador Bernal, in "Recordações de Alvaro del Portillo". Edições Rialp. Página 11

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A santidade do dia a dia




"A santidade é algo maior, mais profundo que Deus nos dá.
Antes, é justamente vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho cristão nas ocupações de cada dia que somos chamados a nos tornar santos.
E cada um nas condições e no estado de vida em que se encontra.
(...)  É casado? Seja santo amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja.
(...)
 “Mas, padre, eu trabalho em uma fábrica; eu trabalho como contabilista, sempre com os números, ali não se pode ser santo…” – “Sim, pode!
Ali onde você trabalha você pode se tornar santo. Deus te dá a graça de se tornar santo. Deus se comunica a você”.
Sempre em cada lugar é possível tornar-se santo, isso é, pode-se abrir a esta graça que nos trabalha por dentro e nos leva à santidade.
(...) 
E é preciso tanta paciência para isto, para ser um bom pai, um bom avô, uma boa mãe, uma boa avó, é preciso tanta paciência e nesta paciência vem a santidade: exercitando a paciência.
(...)
 Então: cada estado de vida leva à santidade, sempre!
Na sua casa, na estrada, no trabalho, na Igreja, naquele momento e no teu estado de vida foi aberto o caminho rumo à santidade.
Não desanimem de andar neste caminho.
É o próprio Deus que nos dá a graça. O Senhor só pede isto: que nós estejamos em comunhão com Ele e a serviço dos irmãos.
3. Neste ponto, cada um de nós pode fazer um pouco de exame de consciência, agora podemos fazê-lo, cada um responde a si mesmo, dentro, em silêncio:
como respondemos até agora ao chamado do Senhor à santidade?
Tenho vontade de me tornar um pouco melhor, de ser mais cristão?
Este é o caminho da santidade.
Quando o Senhor nos convida a nos tornar santos, não nos chama a algo de pesado, de triste…
Tudo outra coisa! É um convite a partilhar a sua alegria, a viver e a oferecer com alegria cada momento da nossa vida fazendo-o se tornar ao mesmo tempo um dom de amor para as pessoas que estão próximas a nós.
Se compreendemos isso, tudo muda e adquire um significado novo, um significado belo, um significado a começar pelas pequenas coisas de cada dia.
Um exemplo. Uma senhora vai ao supermercado fazer as compras e encontra uma vizinha e começam a falar e depois vem as fofocas e esta senhora diz: “não, não, não, eu não falarei mal de ninguém”. Isto é um passo para a santidade, ajuda-nos a nos tornar mais santos.
Depois, na sua casa, o filho te pede para falar um pouco das suas coisas fantasiosas: “ah, estou tão cansado, trabalhei tanto hoje…” – “Você se acomode e escute o teu filho, que precisa disso!”.
E você se acomoda, escute com paciência: isto é um passo para a santidade.
Depois termina o dia, estamos todos cansados, mas tem a oração.
Façamos a oração: também isto é um passo para a santidade.
Depois chega o domingo e vamos à Missa, fazemos a comunhão, às vezes precedida de uma bela confissão que nos limpa um pouco. Este é um passo para a santidade.
Depois pensamos em Nossa Senhora, tão boa, tão bela, e pegamos o rosário e o rezamos. Este é um passo para a santidade.
Depois vou pelo caminho, vejo um pobre necessitado, paro, pergunto algo pra ele, dou algo a ele: é um passo para a santidade.
São pequenas coisas, mas tantos pequenos passos para a santidade.
Cada passo para a santidade nos tornará pessoas melhores, livres do egoísmo e do fechamento em si mesmo, e abertos aos irmãos e às suas necessidades."
Papa Francisco Audiência Geral 19-11-2014

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

O Reino de Deus cresce dentro em silêncio

 
 
 
“(...) o Reino de Deus é silencioso, cresce dentro”. Em seguida, Francisco citou as palavras de Jesus: “também para o Reino chegará o momento de manifestar a força, mas será somente no final dos tempos”.
“O dia em que fará barulho, o fará como um relâmpago que atravessa os céus. Assim fará o Filho do homem no seu dia, no dia em que fará barulho. E quando se pensa na perseverança de tantos cristãos – homens e mulheres – que levam adiante a família, que cuidam dos filhos, que cuidam dos avós, que chegam ao fim do mês com meio euro no bolso mas rezam, ali está o Reino de Deus; escondido na santidade da vida cotidiana, na santidade de todos os dias, porque o Reino de Deus não está longe de nós, está perto! Esta é uma das suas características: proximidade, todos os dias”.
Também quando descreve o seu retorno numa manifestação de glória e de poder, Jesus – insistiu o Papa – acrescentou que “antes é necessário que ele sofra muito e seja rejeitado por esta geração”. Isto quer dizer, notou o Papa, que “o sofrimento, a cruz, a cruz cotidiana da vida – a cruz do trabalho, da família, de fazer bem as coisas – esta pequena cruz cotidiana é parte do Reino de Deus”. E encerrou: peçamos ao Senhor a graça de “zelar pelo Reino de Deus que está dentro de nós com a oração, a adoração e o serviço da caridade, silenciosamente”.
O Reino de Deus é humilde, como a semente: humilde; mas cresce, eh? Pela força do Espírito Santo. A nós cabe deixá-lo crescer em nós, sem nos vangloriar; deixar que o Espírito venha, nos transforme a alma e nos leve avante no silêncio, na paz, na serenidade, na proximidade a Deus, aos outros, na adoração a Deus, sem espetáculos”.
 
Papa Francisco
Homilia da Casa de Sta Marta 13 de Novembro de 2014

domingo, 9 de novembro de 2014

A aridez do poeta

"Estou contente, muito contente, Luisa.
O Senhor andou a experimentar-me, fechou-me a garganta por dois meses, a ver se eu perdia a Fé.
Ora eu, apesar de me doer este pseudo-esquecimento, não descri.
E Deus recompensou-me.
Ontem saí, com luar.
A dez passos de casa rezei, de joelhos, as minhas orações do costume; pedi depois, enquanto andava, muitas coisas a Deus: que me deixasse ser bom, que me evitasse o orgulho, que me desse ordem de ser Poeta.
Quando voltei a casa, à uma da noite, trazia um soneto: escrevi-o, ajoelhei-me a agradece-lo, esse presente de anos"

Sebastião da Gama. Carta I. páginas 55 a 56

Deus virá ao romper do dia

Salmos 46(45),2-3.5-6.8-9.

Deus é o nosso refúgio e a nossa força,
ajuda permanente nos momentos de angústia.
Por isso, não temos medo, mesmo que a terra trema,
mesmo que as montanhas se afundem no mar.

Um rio, com os seus canais, alegra a cidade de Deus,
a mais santa entre as moradas do Altíssimo.
Deus está no meio dela, não pode vacilar;
Deus irá em seu auxílio, ao romper do dia.

A paciência na provação

«Para conservar a paciência na provação,
considerai Jesus sobre a Cruz.
Todos O injuriavam,
todos mofavam d’Ele e das Suas dores;
Ele suportava tudo em silêncio.


 Tudo passa.
Nos vossos sofrimentos pensai
que glorificais a Deus.


 Nesta terra o Senhor faz tudo por vós;
sofrei tudo por Ele.
Pensai sempre que Nossa Senhora
será a vossa Mãe.


 Pensai também que
depois das penas e das humilhações
estareis no Paraíso.
Oh, qual não será então a vossa glória,
a vossa alegria!...»

Beata Maria de Jesus Crucificado | 1846 - 1878
Elevações espirituais. 37

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Começar cada dia com nova determinação

Se queremos conseguir qualquer progresso no serviço de Deus devemos começar cada dia da nossa vida com nova determinação

 

S.Carlos Borromeu (1538-1584

Etiquetas

Arquivo do blogue