terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Fazer tudo por Amor

De S.José Maria Escrivá:
"Atravessas uma etapa crítica: um certo vago temor; dificuldade em adaptares o plano de vida; um trabalho angustiante, porque não te chegam as vinte e quatro horas do dia para cumprir todas as tuas obrigações... Já experimentaste seguir o conselho do Apóstolo: "Faça-se tudo com decoro e com ordem", quer dizer, na presença de Deus, com Ele, por Ele e só para Ele? (Sulco 512)
"E como é que vou conseguir – parece que me perguntas – actuar sempre com esse espírito, que me leve a concluir com perfeição o meu trabalho profissional? A resposta não é minha. Vem de S. Paulo: Trabalhai varonilmente, sede fortes. Que tudo, entre vós, se realize na caridade. Fazei tudo por Amor e livremente. Nunca actueis por medo ou por rotina: servi ao Nosso Pai Deus.
Gosto muito de repetir – porque tenho experimentado bem a sua mensagem – aqueles versos pouco artísticos, mas muito gráficos: Minha vida é toda amor / Se em amor sou entendido, / Foi pela força da dor, / Pois ninguém ama melhor / Que quem muito haja sofrido.Ocupa-te dos teus deveres profissionais por Amor.
Faz tudo por Amor – insisto – e comprovarás as maravilhas que produz o teu trabalho, precisamente porque amas, embora tenhas de saborear a amargura da incompreensão, da injustiça, da ingratidão e até do próprio fracasso humano. Frutos saborosos, sementes de eternidade!"
(Amigos de Deus, nn. 68–69)

Telefones de Emergência

TELEFONES DE EMERGÊNCIA: ♥*♥*♥*♥*♥*♥*♥*♥*♥*♥*♥*♥*♥*♥*♥*♥*
Quando você estiver triste, ligue João 14.
Quando pessoas falarem de você, ligue Salmo 27.
Quando você estiver nervoso, ligue Salmo 51. Quando você estiver preocupado, ligue Mateus 6:19,34.
Quando você estiver em perigo, ligue Salmo 91.
Quando Deus parecer distante, ligue Salmo 63.
Quando sua fé precisar ser ativada, ligue Hebreus 11.
Quando você estiver solitário e com medo, ligue Salmo 23.
Quando você for áspero e crítico, ligue 1 Coríntios 13.
Para saber o segredo da felicidade, ligue Colossenses 3:12-17.
Quando você sentir-se triste e sozinho, ligue Romanos 8:31-39.
Quando você quiser paz e descanso, ligue Mateus 11:25-30.
Quando o mundo parecer maior que Deus, ligue Salmo 90.

Autor: Erick Sávio (daqui)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Ser Filho de Deus

Li isto e inspirei-me para considerar o seguinte:
Quando a luta aperta, quando o cansaço físico, mental ou até espiritual apertam, quando se torna mais difícil adquirir ou manter uma determinada virtude ou largar ou não voltar a um defeito ou vício antigo, é sempre bom, reconfortante e revigorante meditar na nossa Filiação Divina.
Somos Filhos de Deus, por intermédio da Graça Santificante, recebida através da Sagrada Comunhão que nos chegou através do sacrifício de Jesus que, por mim, morreu na Cruz.
Que bom que é sermos filhos de Deus. Deus não abandonará o seu filho e dará toda a ajuda necessária para vencer nas tribulações, tentações ou na luta ascética do dia a dia.
"Basta-te a minha Graça" diz S.Paulo, numa das suas cartas.

Documentário sobre o Opus Dei 1


Documentário sobre o Opus Dei, parte 1 from Pinheiros.org on Vimeo

Documentário sobre o Opus Dei 2


Documentário sobre o Opus Dei, parte 2 from Pinheiros.org on Vimeo

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Dar uma oportunidade a Deus

"Arrisquem e tentem, porque se derem uma hipótese a Deus, Ele não vos desiludirá. Pelo menos, dêem-lhe uma oportunidade para que possa descobrir o que Deus quer de vós.
O que se passa é que muitas vezes nem sequer damos qualquer hipótese a Deus e voltamos-Lhe as costas, pois até temos medo de nos colocarmos de frente para Ele, não vá Deus pegar-nos.
Demos uma hipótese a Deus, pois Ele ajudar-nos-á a ultrapassar as dificuldades.
Costumo dizer aos jovens que estamos a um passo da mediocridade ou da graça e esse passo somos nós que temos de o dar."
Entrevista ao candidato a Pe. (agora, entretanto, já ordenado) Miguel Mário Neto.
In Folha do Domingo (Jornal Diocesano do Algarve) de 5 de Dezembro de 2008, pág. 2.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Sem a humildade da gruta de Belém, Cristo não nasce em nós

Em Belém, Deus mostra-nos que só nascerá em nós, no nosso coração e nas nossas obras, se e quando, independentemente das circunstâncias exteriores mais ou menos favoráveis, vivermos em permanente estado de humildade.

À conversão sobe-se pela humildade, pela via de se abaixar

Ponto 278 Sulco S. José Maria Escrivá


De facto, a humildade é a condição da nossa permanente conversão, é a condição sine qua non para a existência de todas as grandes virtudes que caracterizam a boa ascese: Fé, oração, obediência, castidade, mortificação e penitência:

A oração é a humildade do homem que reconhece a sua profunda miséria e a grandeza de Deus, a Quem se dirige e adora, de maneira que tudo espera d'Ele e nada de si mesmo.

A fé é a humildade da razão, que renuncia ao seu próprio critério, e se prostra ante os juízos e a autoridade da Igreja.

A obediência é a humildade da vontade, que se sujeita ao querer alheio, por Deus.

A castidade é a humildade da carne, que se submete ao espírito.

A mortificação exterior é a humildade dos sentidos.

A penitência é a humildade de todas as paixões, imoladas ao Senhor.

- A humildade é a verdade no caminho da luta ascética.

Ponto 259 Sulco S. José Maria Escrivá

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

(Voltar a) Nascer

Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Para quem quiser ver a vida está cheia de nascimentos.
Nascemos muitas vezes ao longo da infância quando os olhos se abrem em espanto e alegria.
Nascemos nas viagens sem mapa que a juventude arrisca.
Nascemos na sementeira da vida adulta,entre invernos e primaveras maturando a misteriosa transformação que coloca na haste a flore dentro da flor o perfume do fruto.
Nascemos muitas vezes naquela idade onde os trabalhos não cessam, mas reconciliam-se com laços interiores e caminhos adiados.
Enganam-se os que pensam que só nascemos uma vez.
Nascemos quando nos descobrimos amados e capazes de amar.
Nascemos no entusiasmo do riso e na noite de algumas lágrimas.
Nascemos na prece e no dom.
Nascemos no perdão e no confronto.
Nascemos em silêncio ou iluminados por uma palavra.
Nascemos na tarefa e na partilha.
Nascemos nos gestos ou para lá dos gestos.
Nascemos dentro de nós e no coração de Deus.
O que Jesus nos diz é: "Também tu podes nascer",pois nós nascemos, nascemos, nascemos.

José Tolentino Mendonça

Daqui

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O Natal segundo Bono, dos U2

"Na noite de Natal fui à Catedral de St. Patrick (...). Cheguei, sentei-me. Deram-me um lugar péssimo, atrás de um pilar enorme. Não conseguia ver nada. Estava para ali sentado, tendo voltado de Tóquio ou algum sítio desse género. Eu fui pelo canto, porque adoro canto coral. (...) Mas estava a adormecer, pois estava a pé há alguns dias, viajando, porque a missa era um bocado aborrecida e comecei a cabecear, não via nada. Então comecei a tentar manter-me acordado estudando o que estava na página. Revelou-se-me pela primeira vez, verdadeiramente. Já tinha percebido antes, mas, de facto, compreendi: a história do Natal. A ideia de que Deus, se houver uma força de Amor e Lógica no Universo, que se tenta explicar, é espantoso o suficiente. Que tenta explicar-se a si mesma e se descreve ao tornar-se uma criança nascida na pobreza extrema, em merda e palha...uma criança...Eu simplesmente pensei "Uau!" Só a poesia...Amor desconhecido, poder desconhecido, descreve-se a si mesma como a mais vulnerável. Ali estava. Eu estava ali sentado, e não é que não se me tivesse revelado antes, mas caíram-me lágrimas pela face, e vi o genial disto, o génio absoluto de pegar num momento particular no tempo e decidir transformar-se nisto. (....) Para mim, faz sentido. É, na verdade, lógico. É pura lógica. A essência tem de se manifestar a si mesma. É inevitável. O amor tem de se tornar numa acção ou em algo concreto. Teria de acontecer. Tem de haver uma encarnação. O amor tem de ser feito carne.
Bono por Bono. Ulisseia. Pág. 144

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

sobreviver ao massacre de Mumbai

Da newsletter "É o carteiro" do meu amigo Pedro Gil, recebi esta versão traduzida para português com um impressionante depoimento de vida:


Na quarta-feira à noite, por volta das 10.00 horas, depois de um jantar descontraído, o meu amigo Eugene e eu entrámos no lobby do Taj Hotel de Mumbai, como já nos aconteceu centenas de vezes no decorrer das viagens que fazemos àquela cidade, na nossa qualidade de banqueiros de investimento de Nova Iorque que vivem actualmente em Hong Kong.

Ao pousar a mala em cima do balcão, ouvi um sonoro tiro, que reconheci – dos anos em que vivi na África do Sul – como sendo o de uma espingarda de assalto AK-47. Quando, momentos depois, ouvi um segundo tiro, voltei-me para o Eugene e disse-lhe: «Foge, é uma AK!»

Desatámos a correr para a saída mais próxima no momento em que os terroristas entravam no lobby do hotel, vindos de diversos pontos. Eu passei pelas portas que dão para a piscina e agachei-me por trás de uns arbustos, ouvindo o fogo a aumentar de intensidade. Apercebi-me de que o Eugene não tinha conseguido sair do lobby.

Havia mais quatro ou cinco pessoas atrás dos arbustos; tinham lá chegado antes de mim e estavam todas paralisadas de medo. Pelo barulho que se ouvia, percebi que se tratava de uma orgia de morte do tipo da que tinha ocorrido na escola de Columbine: os sujeitos armados andavam de um lado para o outro, a executar metodicamente quem encontravam. Raciocinando a grande velocidade, percebi que não era seguro continuar agachado por trás daqueles arbustos na zona da piscina.

Olhando em redor, cheguei à lastimosa conclusão de que tínhamos sido apanhados numa ratoeira, uma vez que estávamos completamente cercados por muros com mais de 3,5 metros de altura. Percorri os muros com os olhos, em busca de um apoio de mãos ou de pés, mas eles eram completamente lisos. No entanto, avistei por cima de mim uma conduta de ar condicionado, localizada a cerca de 2,5 metros. Dei um pulo, e consegui fazer saltar uma peça da conduta.

Dei outro salto e consegui agarrar-me ao tubo mas, quando tentei içar-me, caí, e as pessoas que se encontravam escondidas atrás dos arbustos mandaram-me calar. Após uma rápida invocação ao Espírito Santo – Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis! –, dei novo salto, e desta vez consegui agarrar-me bem e içar-me por sobre o muro, de onde saltei para o tecto do alpendre do barracão anexo à piscina. Estendi-me ao comprido, em silêncio, parcialmente escondido por ramos de árvores.

Ofegante, lembrei-me de mandar um e-mail aos meus colegas de Londres, a informá-los da situação. «Urgente: Não estou a brincar. No Taj Hotel de Mumbai. Assalto de homens armados. Há mortos. Chamem a polícia.» Depois tirei o som ao telefone, não fosse ele tocar e denunciar-me, atraindo rapidamente sobre mim uma morte violenta.

Passaram-se vários minutos; os gritos e sons de tiros prosseguiam. Comecei a rezar a São Miguel Arcanjo: protegei-nos no combate, defendei-nos com o vosso escudo contra as armadilhas e ciladas do demónio. E também rezei um de muitos terços, pedindo ajuda para sair daquela situação, que era indubitavelmente a experiência mais chocante e desesperada da minha vida. Estava ciente de que só por acção de Nosso Senhor sairia dali com vida.

Passou uma hora e eu continuava empoleirado lá no alto. As coisas estavam agora mais calmas, mas infinitamente mais assustadoras. De vez em quando, ouviam-se rajadas de metralhadora no escuro, indicativas de que aquela gente cruel continuava a praticar malfeitorias. A certa altura, já muito perto do pânico, rezei: Seja feita a Vossa vontade. A seguir, porém, decidi precaver-me e acrescentei: Eu sei que será feita a Tua vontade, Senhor, mas não quero dizê-lo neste momento, porque tenho receio de que isso me leve, de alguma maneira, a desistir. Vou fazer o seguinte: entrego esta situação a Nossa Senhora e que seja Ela a resolver o assunto.

Passou mais uma hora. Eu espreitava lá para baixo, observava, tentava decidir o que havia de fazer, rezava muitas vezes a oração a São Miguel, rezava Lembrai-vos a Nossa Senhora, esforçava-me por pensar com nitidez. Além disso, tentava distrair-me de uma intensa vontade de ir à casa de banho, porque (ainda) não estava disposto a dar a vida por esse alívio.

De repente, apercebi-me de que uns paquetes do hotel estavam a tentar tirar as pessoas da zona da piscina, conduzindo-as a um alçapão. Decidi – e, à distância, lamento tê-lo feito – ir também. Quando estava a passar por sobre a borda do muro para saltar para o chão, percebi que o lado do barracão por onde estava a saltar tinha uma altura de uns 7,5 metros.

Como já tinha começado a dar o salto, só por milagre consegui conter o impulso e agarrar-me à borda, literalmente com as pontas dos dedos. Consegui estabilizar por momentos, mas logo a seguir as ripas do tecto do alpendre começaram a ceder. Estendi a mão para um cano de água e, sem saber bem como, lá consegui chegar desajeitadamente ao chão sem me magoar.

Juntei-me às cinco ou seis pessoas que estavam a ser empurradas para o alçapão e fui atrás delas em silêncio. Percorremos um labirinto de escadas, de curvas e voltas, e acabámos por ir dar à zona de escritórios do hotel, que ficava no 2º andar. Entrámos numa sala onde já se encontravam umas setenta almas, acotovelando-se umas às outras, aterrorizadas. Percebi imediatamente que não estávamos ali bem; éramos um alvo de fácil acesso, sem comando nem controlo, sem qualquer dispositivo de segurança nos quatro pontos de entrada e saída. Estávamos numa posição extremamente vulnerável.

Enquanto as granadas, os tiros das AK e as bombas lançadas pelos terroristas faziam periodicamente abalar as paredes, matraqueando-nos na cabeça, retomei as minhas fervorosas – embora distraídas – orações a Nossa Senhora. Dado que (felizmente) ainda tinha bateria no Blackberry, comecei a rezar os mistérios gloriosos do terço com um amigo de Mumbai, o que foi extremamente reconfortante.

O cenário que me rodeava era surreal. Havia pessoas que tomavam chá, parecendo ignorar o perigo em que nos encontrávamos. Outras choravam e tremiam, nitidamente à beira do pânico. Eu estava absolutamente decidido a manter-me calmo e a continuar a rezar, pedindo força interior. Era possível que este cerco durasse vários dias, de maneira que era imperativo não perder o autocontrolo.

Enquanto rezava, fui observando sucessivamente os pontos de acesso ao local. Lembrei-me dos tempos em que jogava futebol no liceu, e em que treinávamos persistentemente a atenção aos ataques do adversário, para respondermos com rapidez, decidindo por onde avançar na linha ofensiva. Ia pensando: «OK, se eles avançarem pela escada A, eu corro para a porta B. Se eles entrarem pela porta C, eu salto pela janela D», etc.

Felizmente, havia uma casa de banho naquela zona. Na única vez que lá fui, encontrei vários homens escondidos nos cubículos individuais. Soube mais tarde, pelos jornais, que muitos deles passaram as oito ou nove horas que o assalto durou ali trancados.

As horas iam passando e o estado de espírito das pessoas continuava a ser de tensão, mas controlada. A certa altura, a luzinha vermelha do meu Blackberry começou a piscar. Era um colega do gabinete de segurança da minha empresa, a mandar-me sair imediatamente do sítio onde estava, porque os terroristas estavam a revistar o hotel de alto a baixo, à procura de americanos e britânicos, para os matarem. Eu tenho 1,85 m e sou nitidamente americano, especialmente numa cidade como Bombaim. Eles davam cabo de mim, mal me descobrissem.

Nesse momento, explodiu uma bomba, fazendo um ruído enorme, e começaram a ouvir-se nas escadas disparos de armas ligeiras. Presumi que o fim estivesse perto.

Mandei um rápido e-mail aos meus pais, agradecendo-lhes a vida e tudo o que me tinham dado. Depois, mandei outro e-mail à minha mulher e aos meus filhos: «Obrigado, Celeste, por teres sido
a minha melhor amiga e a minha alma gémea. Amo-te!» Devastei a alma e o coração, em busca de umas quantas pérolas de sabedoria para deixar aos meus três filhos pequenos, que os edificassem e sustentassem pela vida fora, agora que iam ficar órfãos de pai. Pedindo ajuda ao Espírito Santo, expliquei-lhes que a vida era um dom, e que eles deviam fazer todo o possível por usufruir desse dom. Pedi-lhes que tomassem conta da mãe, uns dos outros, e das pessoas que os rodeiam – e que não tivessem medo de dizer que sim à vocação. Aconselhei-os a terem uma vida de oração e a viverem as normas de piedade que nós lhes tínhamos ensinado: «Vivam intensamente a vida, rapazes, e mantenham-se sempre em estado de graça.»

A dor que sentia no coração (e o ritmo cardíaco) intensificou-se à medida que os tiros de AK se foram aproximando. Aproximei-me do chefe da sala e perguntei-lhe discretamente se podia sair pelas escadas das traseiras, porque a segurança da minha empresa me tinha dado indicações para abandonar imediatamente o edifício. O sujeito garantiu-me que estávamos seguros, mas a expressão com que o disse denunciou o medo e a insegurança que sentia. Enquanto ele conferenciava com os dois paquetes, eu posicionei-me ao pé das escadas das traseiras.

Momentos depois, os paquetes anunciaram que iam começar a deixar sair algumas pessoas, o que gerou imediatamente uma investida em direcção às escadas. Embora eu estivesse perto da porta, ouvi entoar em coro, com um encantador sotaque indiano: «As mulheres e as crianças primeiro!» Ah, com certeza! Engoli em seco e desviei-me.

As mulheres e as crianças começaram a sair da sala em grupos de oito. Cerca de um minuto depois, os homens começaram a avançar pelo meio delas. Tendo visto passar por mim uma dúzia de homens, numa altura em que a maioria das mulheres já tinha saído, eu avancei também e consegui fugir.

Tive obviamente imensa sorte – e recebi muitas graças. Soube mais tarde, pela segurança da minha empresa, que estava a controlar-me os e-mails, que os escritórios do hotel foram assaltados por homens armados cerca de cinco minutos depois de eu ter conseguido fugir. Soube também que o meu amigo Eugene tinha sido baleado no lobby do hotel, mas felizmente vai recuperar por completo. (No dia seguinte, o Eugene contou-me que eu tinha passado a correr pelo terrorista que tinha erguido a arma e o tinha atingido na coxa. Por sorte, ele foi transportado para um compartimento de segurança, de onde conseguiu fugir do hotel minutos mais tarde.)

Colegas e amigos, muita gente me pergunta como me sinto, depois de ter passado por uma experiência tão traumática. Eu respondo-lhes que me sinto óptimo – abalado, mas óptimo. No final das contas, estou convencido de que bona omnia fecit (fez tudo bem). Lembrar-me-ei sempre do pessoal do Taj Hotel, que se mostrou bem educado, cortês e corajoso durante todo aquele transe. Salvaram centenas de vidas, muitos deles à custa da própria.

Os meus amigos agnósticos e ateus têm-me dito que, se lhes acontecesse uma coisa assim, ficavam de rastos. Quanto a mim, tenho a sensação de que, por qualquer razão, o Senhor me protegeu. Tive muito pouca influência no facto de me ter salvado; foi e continua a ser Ele a controlar os acontecimentos, e ainda bem.

Que bem poderá resultar desta experiência terrível? Espero que uma fé mais profunda do poder da oração e uma confiança inabalável nos planos amorosos de Deus. Foi por isso que escrevi este relato para o Catholic Exchange – para que mais gente reze e se aproxime de Cristo e de Sua Mãe, em especial nos tempos de insegurança que atravessamos.

Por que terá Deus permitido que eu sobrevivesse àquele ataque? Não faço ideia. Nesta altura, porém, há um pensamento que não me abandona: Àquele a quem muito foi dado, muito será
pedido. Espero conseguir estar à altura das expectativas Dele.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O dom do tempo

Deus doa-nos o seu tempo, porque entrou na história com a sua Palavra e com as suas obras de salvação, para a abrir ao eterno, para a tornar história da aliança.
Nesta perspectiva, o tempo já é em si um sinal fundamental do amor de Deus: um dom que o homem, como qualquer outra coisa, é capaz de valorizar ou, ao contrário, dissipar; de compreender no seu significado, ou descuidar com obtusa superficialidade.
Papa Bento XVI, Angelus, I Domingo do Advento, 30 de Novembro de 2008

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O mundo

Desde o pecado original que o mal entrou no mundo e, desde então, domina o mundo e o coração dos homens.

O mundo está dominado, como diz a carta dos apóstolos, pela concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba de vida.

Os únicos resistentes são os cristãos e as Igrejas são como castelos simbolos da resistência que existem em cada cidade, cada vila, cada aldeia. Aí o Demónio não entra.

Vivemos adormecidos e dominados por esses 3 males que caracterizam o mundo. A única forma de assim não ser é acordar, através da humildade, da esperança, da oração e da sobriedade.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Novo site sobre "Primeiros Cristãos"


They observe the precepts of their Messiah with much care, living justly and soberly as the Lord their God commanded them. Every morning and every hour they give thanks and praise to God for His loving-kindnesses toward them; and for their food and their drink they offer thanksgiving to Him. (Aristides, Apology, II c.)

Such, O King, is the commandment of the law of the Christians, and such is their manner of life. As men who know God, they ask from Him petitions which are fitting for Him to grant and for them to receive. And thus they employ their whole lifetime. And since they know the loving-kindnesses of God toward them, behold! for their sake the glorious things which are in the world flow forth to view. And verily, they are those who found the truth when they went about and made search for it; and from what we considered, we learned that they alone come near to a knowledge of the truth. (Aristides, Apology, II c.)
For with Christians, temperance dwells, self-restraint is practiced, monogamy is observed, chastity is guarded, iniquity exterminated, sin extirpated, righteousness exercised, law administered, worship performed, God acknowledged: truth governs, grace guards, peace screens them; the holy word guides, wisdom teaches, life directs, God reigns. (St. Theophilus of Antioch, Books to Autolycus, II c.)

2. Dedicated to others

They appeal to those who injure them, and try to win them as friends; they are eager to do good to their enemies; they are gentle and easy to be entreated; they abstain from all unlawful conversation and from all impurity; they despise not the widow, nor oppress the orphan; and he that has, gives ungrudgingly for the maintenance of him who has not. And when they see a stranger, they take him in to their homes and rejoice over him as a very brother; for they do not call them brethren after the flesh, but brethren after the spirit and in God.
And whenever one of their poor passes from the world, each one of them according to his ability gives heed to him and carefully sees to his burial. And if they hear that one of their number is imprisoned or afflicted on account of the name of Christ, all of them anxiously minister to his necessity, and if it is possible to redeem him they set him free. And if there is among them any that is poor and needy, and if they have no spare food, they fast two or three days in order to supply to the needy their lack of food. (Aristides, Apology, II c.)


3. Citizens of earth and heaven
“For, we have not here a lasting city: but we seek one that is to come.” (Heb 13:14)“They dwell in their own countries, but simply as sojourners. As citizens, they share in all things with others, and yet endure all things as if foreigners. Every foreign land is to them as their native country, and every land of their birth as a land of strangers.

They marry, as do all [others]; they beget children; but they do not destroy their offspring. They have a common table, but not a common bed. They are in the flesh, but they do not live after the flesh. (2 Cor 10:3) They pass their days on earth, but they are citizens of heaven. (Phil 3:20) They obey the prescribed laws, and at the same time surpass the laws by their lives. They love all men, and are persecuted by all. They are unknown and condemned; they are put to death, and restored to life. (2 Cor 6:9) They are poor, yet make many rich; (2 Cor 6:10) they are in lack of all things, and yet abound in all; they are dishonoured, and yet in their very dishonour are glorified. They are evil spoken of, and yet are justified; they are reviled, and bless; (2 Cor 4:12) they are insulted, and repay the insult with honour; they do good, yet are punished as evil-doers. When punished, they rejoice as if quickened into life; they are assailed by the Jews as foreigners, and are persecuted by the Greeks; yet those who hate them are unable to assign any reason for their hatred. (Epistle to Diogentus, II-III c.)

For they know and trust in God, the Creator of heaven and of earth, in whom and from whom are all things, to whom there is no other god as companion, from whom they received laws which they engraved upon their minds and hearts and observe in hope and expectation of the world to come. Wherefore they do not commit adultery nor fornication, nor bear false witness, nor embezzle what is held in pledge, nor covet what is not theirs. They honour father and mother, and show kindness to those near to them; and whenever they are judges, they judge uprightly. They do not worship idols (made) in the image of man; and whatsoever they would not that others should do unto them, they do not to others; and of the food which is consecrated to idols they do not eat, for they are pure. And their oppressors they appease (lit: comfort) and make them their friends; they do good to their enemies; and their women, O King, are pure as virgins, and their daughters are modest; and their men keep themselves from every unlawful union and from all uncleanness, in the hope of a recompense to come in the other world. (Aristides, Apology, II c.)


4. Eucharist

In one of the first Christian texts, St. Justin the Martyr narrates how the Eucharist was celebrated during the ancient times.
And on the day called Sunday, all who live in cities or in the country gather together to one place,
And the memoirs of the apostles or the writings of the prophets are read, as long as time permits; then, when the reader has ceased, the president verbally instructs, and exhorts to the imitation of these good things.

Then we all rise together and pray, and, as we before said, when our prayer is ended, bread and wine and water are brought, and the president in like manner offers prayers and thanksgivings, according to his ability, and the people assent, saying “Amen”; and there is a distribution to each, and a participation of that over which thanks have been given, and to those who are absent a portion is sent by the deacons.
And this food is called among us Εὐχαριστία [the Eucharist], of which no one is allowed to partake but the man who believes that the things which we teach are true, and who has been washed with the washing that is for the remission of sins, and unto regeneration, and who is so living as Christ has enjoined.
For not as common bread and common drink do we receive these; but in like manner as Jesus Christ our Saviour, having been made flesh by the Word of God, had both flesh and blood for our salvation, so likewise have we been taught that the food which is blessed by the prayer of His word, and from which our blood and flesh by transmutation are nourished, is the flesh and blood of that Jesus who was made flesh.
For the apostles, in the memoirs composed by them, which are called Gospels, have thus delivered unto us what was enjoined upon them; that Jesus took bread, and when He had given thanks, said, "This do in remembrance of Me, (Lk 22:19) this is My body;" and that, after the same manner, having taken the cup and given thanks, He said, "This is My blood;" and gave it to them alone.
And we afterwards continually remind each other of these things. And the wealthy among us help the needy; and we always keep together; and for all things wherewith we are supplied, we bless the Maker of all through His Son Jesus Christ, and through the Holy Spirit. (St. Justin the Martyr, Letter to Antoninus Pius, Emperor, 155 AD)

5. Christian dimension of work

The early Christians remembered the very testimony of Christ with their life of work since “Christ was in the habit of working as a carpenter when among men, making ploughs and yokes; by which He taught the symbols of righteousness and an active life.” (St. Justin the Martyr, Dialogue with Trypho)


The Christian message of work is that labor, as long as noble and good, acquires a new dimension in Christ (cfr. Ef. 6,7). The supernatural dimension of work is like a divine incentive that will surpass much the impact of social agreements, without violence nor rebellions. For the early Christians, work had a value of a distinct sign between the true believer and the false brother, as well as a delicate way to live charity in order to be just to his brother (cfr. Thes 5, 11). (cfr. Encyclopedia GER, Primeros Cristianos II, Espiritualidad)

On the other hand, we cannot forget that the early Christians were immersed in a world in which some aspects of work had become somewhat pejorative. “Because work was what determined the life of the slave, the well-known distinction between servile work and liberal work prevailed, first identifying the work itself, and second all activities that, in addition to culture, include leisure and the arts.” (J.Mullor, La Nueva Cristiandad, Madrid 1966, p.215).

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Portugal necessita de uma Igreja e cristãos mais comprometidos e coerentes

A Igreja em Portugal precisa «sair de si e das suas exigências para partir ao encontro dum mundo concreto onde seres humanos labutam com imensas dificuldades no quotidiano da sua existência».
«Precisamos duma maior atenção que nos coloque como servos duma humanidade que busca um sentido. Verão a Cristo no rosto de quem os ama e nunca no de quem deles se serve.»
Ao falar do desafio de ser construtores de comunhão, o arcebispo destacou que um estilo de organização «que não assente no amor fraterno, vivido em círculos de comunhão real, não fará avançar a Igreja, mas constituirá mais escolhos que alimentarão o pessimismo e a crítica».
O arcebispo afirmou também que deve-se trabalhar na Igreja por uma «participação de identidade cristã». «Esta deve nascer do interior e concretizar-se na aposta de um itinerário cristão de formação».

«A competência passa pela escola da oração, da espiritualidade e da razão, do estudo, da formação. Passa não só pela intimidade com Deus, mas também pela intimidade com a cultura, com os saberes, em ordem à aquisição de capacidades para dar as razões da nossa esperança.»

A respeito da iniciação cristã, Dom Jorge Ortiga disse que «a maré dos não praticantes, como diz o santo Padre, impõe uma reflexão e talvez uma viragem no percurso atual da iniciação cristã».

«O que está a acontecer não é só fruto do tempo, numa cultura que rompe decididamente com a instituição religiosa. É também a tradução da pouca incidência da transmissão catequética.»

«Impõe-se uma viragem fundamentalmente baseada no ensino dos apóstolos, na transmissão dos símbolos da fé e na Palavra que se recebe, tornando a Bíblia um dom, um presente e não um fim», afirmou.

De acordo com o arcebispo, importa, ainda, «relançar a iniciação cristã para aqueles que perderam as referências da cultura cristã ou para aqueles que nunca as adquiriram».

«Os tempos que correm não são de facilidade, mas de renúncia, de escolha do mais difícil, de anúncio do que está para além de nós, de uma aposta na fé como novo alicerce cultural.»

«Persuadidos do invisível, imersos no nosso mundo, desmontando os esquemas nos quais nos fomos instalando, perdendo os possíveis privilégios, asseguramos a comunicação dAquele que deu a vida na Cruz», afirmou Dom Jorge Ortiga.

Daqui

Baptismo: Dar boa doutrina

Desculpem os preconceitos, mas a doutrina explicada em inglês, com pronúncia americana, por um jovem sacerdote católico norte-americano parece muito mais fresca, clara e tonificante:

sábado, 8 de novembro de 2008

Eucarístia e amor

"No próprio «culto», na comunhão eucarística, está contido o ser amado e o amar, por sua vez, os outros.

Uma Eucaristia que não se traduza em amor concretamente vivido, é em si mesma fragmentária." (Cfr. Ponto 14, último parágrafo)

Deus Caritas est.

Apostolado e oração


O bom pastor — (...) — deve estar radicado na contemplação. De facto, só assim lhe será possível acolher de tal modo no seu íntimo as necessidades dos outros, que estas se tornem suas: «per pietatis viscera in se infirmitatem cæterorum transferat». [4] Neste contexto, São Gregório alude a São Paulo que foi arrebatado para as alturas até aos maiores mistérios de Deus e precisamente desta forma, quando desce, é capaz de fazer-se tudo para todos (cf. 2 Cor 12, 2-4; 1 Cor 9, 22). Além disso, indica o exemplo de Moisés que repetidamente entra na tenda sagrada, permanecendo em diálogo com Deus para poder assim, a partir de Deus, estar à disposição do seu povo. «Dentro [da tenda] arrebatado até às alturas mediante a contemplação, fora [da tenda] deixa-se encalçar pelo peso dos que sofrem: Intus in contemplationem rapitur, foris infirmantium negotiis urgetur». [5]
Papa Bento XVI, citando o Papa Gregório Magno, in Deus Caritas est

O que fazer da vida ?

domingo, 19 de outubro de 2008

O valor das boas obras

Ouvi no meio de uma homilia duma missa:

"O vento deixa-se convencer pelas palavras, o coração deixa-se convencer pelas boas obras"

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Obrigações cumpridas- condição de santificação

"Tu e eu somos cristãos, mas, ao mesmo tempo e sem solução de continuidade, cidadãos e trabalhadores, com obrigações bem nítidas que temos de cumprir exemplarmente, se deveras queremos santificar-nos"

S. José Maria Escrivá de Balaguer

Amigos de Deus, 60–61

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