segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A alegria em Chesterton


Uma das maiores e mais importantes facetas de Chesterton é a sua relação com a alegria.

 

Para Chesterton a alegria tem algumas variantes fundamentais, mas em que todas, basicamente, consistem em estar alegre.

 

Uma dessas matizes é expressa na graça de ter nascido. Na sua Autobiografia escreve“… Eu inventei uma teoria básica e mística. Consistia no seguinte: a mera existência, reduzida aos seus limites primários, era suficientemente extraordinária e excitante. Qualquer coisa entusiasma comparado com nada…”. É incomparável a sua definição de sol como “Se um fogo fixo pairasse no ar para me aquecer ao longo de todo o dia”, no seu poema “By the Babe Unborn”.

Continua, na sua ânsia de perdurar a criança que existia em si, que existe em cada um de nós. Afirma ainda os limites de tudo: "tudo me é permitido em troca de um pouco que me é negado, como na história da Cinderela". Ou, confinar-se ao tapete da cama e imaginá-lo como uma prancha no mar que é o resto do chão do quarto. Esta ideia de permissão-restrição encontra-se na criança que segue apenas por certas zonas do passeio e não por outras, quando segue na rua com a sua mãe. É expresso na ideia da vedação ou limite: “Quando queremos remover uma vedação devemos questionar-nos sobre o motivo porque terá sido ali colocada. Defendi os sagrados limites do homem contra os poderes ilimitados do super-homem.”
 

Para Chesterton nós devemos ser alegres apenas pela existência, num “mínimo místico de gratidão”. Essa alegria enche o coração da maioria das crianças porque elas ainda são novas neste mundo, porque para elas o mundo é tão fascinante como o reino da fantasia. Ir de férias com os pais ou os irmãos é como ir com Alice para o País das Maravilhas ou com Suzanne para Narnia. Muitas vezes imaginamos mundos maravilhosos e não nos apercebemos da maravilha que é o nosso mundo.

 

António Campos

Anália Carmo

 

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