sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Nós somos os doentes e Deus o grande médico

"O que é esta vida senão uma grande sala cheia de pessoas mortalmente doentes, vigiadas "pelo grande médico que é Deus"?

Thomas More. Citado na biografia de Peter Acroyd. Pág. 260 citando Yale. Pág. 11

A Eucarístia em St. Tomas More

(A missa) era, isoladamente, o aspecto mais importante da sua vida e a fonte de onde brotava grande parte da sua severidade e da sua ironia, da sua gravidade e do seu bom humor".
"Thomas More- Biografia", de Peter Ackroyd
Página 87

A castidade nasce do Amor

A castidade nasce do amor; a força e a alegria da juventude não constituem obstáculo para um amor limpo. Jovem era o coração e o corpo de S. José quando contraiu matrimónio com Maria, quando conheceu o mistério da sua Maternidade Divina, quando viveu junto d'Ela respeitando a integridade que Deus lhe queria oferecer ao mundo como mais um sinal da sua vinda às criaturas. Quem não for capaz de compreender um amor assim conhece muito mal o verdadeiro amor e desconhece por completo o sentido cristão da castidade. (Cristo que passa, 40).
S.José Maria Escrivá de Balaguer

Fugir das ocasiões

"Havemos de fomentar nas nossas almas um verdadeiro horror ao pecado. "Senhor (repete-o de coração contrito), que nunca mais Te ofenda!".Mas não te assustes ao notar o lastro do teu pobre corpo e das paixões humanas: seria tolo e ingenuamente pueril que descobrisses agora que "isso" existe. A tua miséria não é obstáculo; é acicate para te unires mais a Deus, para O procurares com constância, porque Ele nos purifica. (Sulco, 134)
Não dialogues com a tentação. Deixa-me que to repita: tem a coragem de fugir; e a fortaleza de não experimentar a tua debilidade, vendo até onde podias chegar. Corta, sem concessões! (Sulco, 137)
Não tens desculpa nenhuma. A culpa é só tua. Se sabes (conheces-te o suficiente) que por esse caminho – com essas leituras, com essa companhia... – podes acabar no precipício, porque te obstinas em pensar que talvez seja um atalho que facilita a tua formação ou que amadurece a tua personalidade?Muda radicalmente de plano, ainda que te exija mais esforço, menos diversões ao alcance da mão. Já são horas de te portares como uma pessoa responsável". (Sulco, 138)
S. José Maria Escrivá de Balaguer

Lidar com a derrota

"Não nos cause estranheza o facto de sermos derrotados com relativa frequência, habitualmente ou até talvez sempre, em matérias de pouca importância ,que nos ferem como se tivessem muita.
Se há amor de Deus, se há humildade, se há perseverança e tenacidade na nossa milícia, essas derrotas não terão demasiada importância, porque virão as vitórias a seu tempo, que serão glórias aos olhos de Deus. Não existem os fracassos, se agimos com rectidão de intenção e queremos cumprir a vontade de Deus, contando sempre com a sua graça e com o nosso nada".
S.José Maria Escrivá de Balaguer
Cristo que passa, 76

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

humildade e caridade

S. Agostinho dizia que «a morada da caridade é a humildade» [9]. Unicamente sobre uma base de profunda humildade se aduba o terreno para que uma caridade sincera possa crescer.
A extraordinária humildade de Nossa Senhora, que em todo o momento quis que Deus actuasse na sua alma, sem se apropriar de qualquer tipo de méritos, conseguiu que o Senhor se inclinasse para Ela cada vez com mais amor, conduzindo-a de plenitude em plenitude até a receber na glória.Filhas e filhos meus, aprendamos com esta boa Mãe a actuar assim nas mais diversas circunstâncias. Até ao último momento teremos que lutar contra os inimigos da nossa santificação, especialmente contra o amor-próprio, o principal obstáculo que se opõe à nossa união com Deus.
Mas escutemos de novo S. Josemaria. Em certa ocasião, respon­dendo a quem lhe perguntava como lutar neste ponto da vida espiritual, insistia: «é bom que queiras lutar contra a soberba, mas eu, sem ser profeta, digo-te que terás inclinações de soberba até à última hora da tua vida. Pede ao Senhor que te faça humilde (…): quia respexit humilitatem ancillae suae (Lc 1,48). Deus Nosso Senhor olhou para ela porque viu a humildade da Sua Serva. Portanto, tu procura servir o Senhor e imitar Nossa Senhora na humildade.
No Evangelho, não a encontramos à hora dos grandes triunfos do seu Filho: vemo-la ao pé da Cruz. Mas também a encontramos no primeiro milagre: o Senhor fá-lo, porque a Virgem Santíssima lho pede. Pede-lhe tu o milagre de que te faça humilde a ti e de que me faça humilde a mim» [10].
D. Javier Echevarria
Carta pastoral de 8 de Agosto de 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Fazer do trabalho oração e apostolado

Convencei-vos de que não se torna difícil converter o trabalho num diálogo de oração.
Basta oferecê-lo a Deus e meter mãos à obra, pois Ele já nos está a ouvir e a alentar.
Assim, nós, no meio do trabalho quotidiano, conquistamos o modo de ser das almas contemplativas, porque nos invade a certeza de que Deus nos olha, sempre que nos pede uma nova e pequena vitória: um pequeno sacrifício, um sorriso à pessoa importuna, começar pela tarefa menos agradável e mais urgente, ter cuidado com os pormenores de ordem, ser perseverante no dever quando era tão fácil abandoná-lo, não deixar para amanhã o que temos de terminar hoje... E tudo isto para dar gosto ao Nosso Pai Deus!
Entretanto, talvez sobre a tua mesa ou num lugar discreto que não chame a atenção, para te servir de despertador do espírito contemplativo, pões o crucifixo, que já se tornou para a tua alma e para a tua mente o manual onde aprendes as lições de serviço.
Se te decidires – sem fazer coisas esquisitas, sem abandonar o mundo, no meio das tuas ocupações habituais – a entrar por estes caminhos de contemplação, sentir-te-ás imediatamente amigo do Mestre e com o encargo divino de abrir os caminhos divinos da terra a toda a humanidade.
Sim, com esse teu trabalho contribuirás para que se estenda o reinado de Cristo em todos os continentes e seguir-se-ão, uma atrás da outra, as horas de trabalho oferecidas pelas longínquas nações que nascem para a fé, pelos povos do leste barbaramente impedidos de professar com liberdade as suas crenças, pelos países de antiga tradição cristã onde parece que se obscureceu a luz do Evangelho e as almas se debatem nas sombras da ignorância...
Que valor adquire então essa hora de trabalho, esse continuar com o mesmo empenho durante um pouco mais de tempo, alguns minutos mais, até rematar a tarefa.
Convertes assim, de um modo prático e simples, a contemplação em apostolado, como necessidade imperiosa do coração, que pulsa em uníssono com o dulcíssimo e misericordioso Coração de Jesus, Nosso Senhor.

S.José Maria Escrivá de Balaguer
(Amigos de Deus, 67)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O sentido da liturgia

"A verdadeira educação litúrgica (...) (consiste) na introdução do actio essencial (...), isto é, na introdução do poder transformador de Deus que, através do acontecimento litúrgico pretende transformar-nos a nós e ao mundo".
Cardeal Ratzinger
Discurso sobre a fé. Págs. 130 e 131.

A liturgia e a eucarístia

"Através da liturgia (...), a linguagem da mãe (Igreja) torna-se a nossa linguagem; aprendemos a falar sobre ela e com ela, de forma que as suas palavras assomam lentamente aos nossos lábios como as nossas palavras"
In Joseph Ratzinger "A Festa da Fé. A Teologia litúrgica. Jaca Book. 1984. Pág.30.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Para um rosto missionário da Igreja em Portugal


CARTA PASTORAL DOS BISPOS DE PORTUGAL
«COMO EU VOS FIZ, FAZEI VÓS TAMBÉM»
Texto integral aqui

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Santos com disponibilidade

"Para obter uma aplicação eficaz do Concílio e do serviço da Igreja no mundo, a solução não era procurada na reestruturação da burocracia eclesiástica (...).
A questão crucial era ver se existem santos dispostos a fazer algo de novo e de vivo".
In Testemunho da Esperança. Encontro de George Weigel com o Cardeal Ratzinger.

Fazer tudo por amor

"(...) o fato de que a pessoa humana certamente tem de trabalhar, empenhar-se nas ocupações domésticas e profissionais, mas tem necessidade antes de tudo de Deus, que é luz interior de Amor e de Verdade. Sem amor, inclusive as atividades mais importantes perdem seu valor, e não dão alegria.
Sem um significado profundo, todo nosso atuar reduz-se a ativismo estéril e desordenado.
Quem nos dá o Amor e a Verdade, a não ser Jesus Cristo?
Aprendamos, portanto, irmãos e irmãs, a nos ajudar uns aos outros, a colaborar, mas antes inclusive a escolher juntos a melhor parte, que é e será sempre nosso bem maior".

Angelus, 18 de julho de 2010
Papa Bento XVI

sábado, 10 de julho de 2010

Desagravar Maria

Há que desagravar o Imaculado Coração de Maria pelos muitos e diários ataques ao seu filho e indirectamente a si própria, ao ver que o seu filho, ao fim de 2 mil anos, continua diariamente a ser maltratado, cuspido, ofendido e crucificado pelos meus pecados e de todo o mundo

Exame de consciência sobre devoção mariana

Recorro a Nossa Senhora muitas vezes ao dia, invocando o seu coração maternal ?

Cumpro, com delicadeza, as normas e costumes marianos do meu dia a dia ?

Em particular, no Oferecimento de Obras, na oração do Angelus, no rezo do Terço, nas jaculatórias de senha e contra senha existem pormenores demonstrativos de uma relação intíma que só eu e Ela é que conhecemos e mais ninguém?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Santificar o trabalho e o dia, integrando-o na oração

Assim como o corpo precisa do ar para respirar e da circulação do sangue para se manter vivo, também a alma precisa de permanecer em contacto com Deus ao longo das vinte e quatro horas do dia. Por isso, a autêntica piedade leva a referir tudo ao Senhor: o trabalho e o descanso, as alegrias e as dores, os êxitos e os fracassos, o sono e a vigília. Como D. Álvaro escrevia em 1984, «entre as ocupações temporais e a vida espiritual, entre o trabalho e a oração, não pode haver só um “armistício” mais ou menos conseguido. Deve existir uma união plena, uma fusão que não deixa resíduos. O trabalho alimenta a oração e a oração enche o trabalho» [9].
Para alcançar esta meta, além do auxílio da graça, requer-se um esforço pessoal constante, que muitas vezes se concretiza em pequenos detalhes: dizer uma jaculatória ou uma breve oração vocal aproveitando uma deslocação ou uma pausa na tarefa, dirigir um carinhoso olhar à imagem do crucifixo ou da Santíssima Virgem, que discretamente colocámos no nosso lugar de trabalho, etc. Tudo isto serve para manter viva na alma uma orientação de fundo para o Senhor, a qual procuramos fomentar quotidianamente na Missa e nos tempos dedicados expressamente à meditação. E assim, mesmo que em muitas ocasiões estejamos concentrados nas várias ocupações, porque a mente se dedica completamente às diversas tarefas, a alma continua presa ao Senhor, e mantém com Ele um diálogo que não é de palavras, nem sequer de pensamentos conscientes, mas de afectos do coração, do desejo de fazer tudo, até o mais trivial, por Amor, com o oferecimento daquilo que nos ocupa.Quando actuamos com este interesse, o trabalho profissional converte-se numa palestra onde se exercitam as mais variadas virtudes humanas e sobrenaturais: a laboriosidade, a ordem, o aproveitamento do tempo, a fortaleza para rematar a tarefa, o cuidado das coisas pequenas… e tantos detalhes de atenção aos outros que são manifestações de uma caridade sincera e delicada.Convencei-vos de que não é difícil converter o trabalho num diálogo de oração. Assim que o oferecemos e metemos mãos à obra, já Deus nos está a ouvir e a alentar. Assim, nós, no meio do trabalho quotidiano, conquistamos a maneira de ser das almas contemplativas, porque nos conquista a certeza de que Deus nos olha, sempre que nos pede uma nova e pequena vitória: um pequeno sacrifício, um sorriso à pessoa importuna, começar pela tarefa menos agradável e mais urgente, ter cuidado com os pormenores de ordem, ser perseverante no dever quando era tão fácil abandoná-lo, não deixar para amanhã o que temos de acabar hoje... E tudo isto para dar gosto ao Nosso Pai Deus! Entretanto, talvez sobre a tua mesa ou num lugar discreto que não chame a atenção, para te servir de despertador do espírito contemplativo, pões o crucifixo, que já se tornou para a tua alma e para a tua mente o manual onde aprendes as lições de serviço [10].
Com a mesma força com que impulsionava a converter o trabalho em oração, o nosso Padre insistia na necessidade de não abandonar os tempos dedicados exclusivamente ao Senhor: a Missa e a Comunhão frequentes, os tempos de oração mental, o Terço e outras práticas de piedade amplamente experimentadas na Igreja. Com tanto mais cuidado e atenção quanto maiores forem as dificuldades, por causa de um horário de trabalho apertado, da fadiga ou dos momentos áridos que, mais tarde ou mais cedo, não faltam na vida de ninguém. «Tais exercícios – recordava D. Álvaro – não se hão-de conceber como interrupções do tempo dedicado ao trabalho, não são como parêntesis no decorrer do dia.
Quando rezamos, não abandonamos as actividades “profanas” para nos metermos nas actividades “sagradas”. Pelo contrário, a oração é o momento mais intenso de uma atitude que acompanha o cristão em toda a sua actividade e que cria o laço mais forte, porque é o mais íntimo, entre o trabalho realizado antes e o que se voltará a realizar imediatamente a seguir. E, de forma paralela, precisamente do trabalho saberá o cristão obter matéria com que alimentar o fogo da oração mental e vocal, impulsos sempre novos para a adoração, a gratidão, o confiado abandono em Deus» [11].
[9] D. Álvaro del Portillo, Il lavoro si transformi in orazione, artigo publicado na revista “Il Sabato”, 7-XII-1984 (“Rendere amabile la verità”, Livraria Editrice Vaticana, Roma 1995, p. 649).
[10] S. Josemaria, Amigos de Deus, n. 67.
[11] D. Álvaro del Portillo, cit., pp. 650-651.[12] S. Josemaria, Sulco, n. 514.
D.Javier Echevarria
Carta Pastoral de Julho de 2010

domingo, 30 de maio de 2010

Nós e a salvação

"(...) os ataques à nossa salvação vêm do interior de nós mesmos".
António Pinto Leite
Advogado
In Expresso

terça-feira, 18 de maio de 2010

O que é a entrega a Deus ?


"Estás disposto a dar-me a tua carne? O teu tempo ? A tua vida?
É esta a voz do Senhor que quer entrar também no nosso tempo, na vida dos homens, através de nós.
Ele procura uma morada viva. A nossa vida.
Eis a vinda do Senhor.
É isto que queremos aprender durante este tempo de advento: que o Senhor possa vir ao mundo através de nós."

Cfr. Bento XVI
Homília nas primeiras vésperas do 1º Domingo do Advento (26/11/2005)
In "Bento XVI: Pensamentos Espirituais" nº82, Lucerna 2006.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Ardor de Santidade

"(...) decisivo, porém, é conseguir inculcar em todos os agentes evangelizadores um verdadeiro ardor de santidade, cientes de que o resultado provém sobretudo da união com Cristo e da acção do seu Espírito".
Bento XVI cita João Paulo II que dizia «A Igreja tem necessidade sobretudo de grandes correntes, movimentos e testemunhos de santidade entre os fiéis, porque é da santidade que nasce toda a autêntica renovação da Igreja, todo o enriquecimento da fé e do seguimento cristão, uma re-actualização vital e fecunda do cristianismo com as necessidades dos homens, uma renovada forma de presença no coração da existência humana e da cultura das nações» (Discurso no XX aniversário da promulgação do Decreto conciliar «Apostolicam actuositatem», 18/XI/1985).

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Deus procura justos para salvar a cidade dos homens

Na Sagrada Escritura, é frequente aparecer Deus à procura de justos para salvar a cidade humana e o mesmo faz aqui, em Fátima, quando Nossa Senhora pergunta: «Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele mesmo é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?» (Memórias da Irmã Lúcia, I, 162).

Precisamos de dar tempo a Deus para ouvi-lO e cumprir a Sua Vontade

Mas quem tem tempo para escutar a sua palavra e deixar-se fascinar pelo seu amor?
Quem vela, na noite da dúvida e da incerteza, com o coração acordado em oração?
Quem espera a aurora do dia novo, tendo acesa a chama da fé?
A fé em Deus abre ao homem o horizonte de uma esperança certa que não desilude; indica um sólido fundamento sobre o qual apoiar, sem medo, a própria vida; pede o abandono, cheio de confiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo.

Bento XVI
Fátima, 13-V-2010

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