«Quero fixar o olhar em Maria, quero tomá-La por modelo. Tenho tanta necessidade da sua ajuda a materna para obter do Deus bendito,
a completa transformação do meu espírito.
Com coração humilde invocarei frequentemente a minha a Mãe querida, Maria, e com ternura filial, Lhe pedirei para tornar decidida a minha vontade, para praticar a virtude ainda que me custe o sangue.»
Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado | 1894 - 1948
Diário II, P.134
O mundo tem uma parte visível que tem a ver com a nossa vida exterior e outra interior, os nossos pensamentos, a nossa relação interior com o outro mas também com o que não vemos. Este blog pretende ser um armazém de pensamentos e considerações de natureza católica sobre aquilo que não se vê, mas pode-se ver, se quisermos
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sexta-feira, 18 de julho de 2014
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Ser um super-herói
The classic hero is one who goes on the hero’s quest.
He or she leaves their ordinary world of comfort and security to set out on a great adventure.
Once on that journey they meet allies and enemies, they encounter great dangers and take huge risks. They eventually overcome the dragon, the beasts, the villains and the darkness not only to defeat evil and win the treasure and defeat the prize, but also to become wise and pure and therefore become a hero.
Since “super” means “above” then a superhero is one who goes on the hero’s quest with strength from above. This strength we call “grace”.
So is Pope Francis a superhero? By all means.
Yes! But so is every Christian who wins the prize and overcomes evil in their lives. All the saints are superheroes and all the Christians who have heard the call to truly follow Christ are on the heroic quest.
We’re a work in progress.
We’ve heard the call and set out on the great adventure of following Christ, until at last we overcome the world and enter into the realm of the superheroes
Fr. Dwight Longenecker
He or she leaves their ordinary world of comfort and security to set out on a great adventure.
Once on that journey they meet allies and enemies, they encounter great dangers and take huge risks. They eventually overcome the dragon, the beasts, the villains and the darkness not only to defeat evil and win the treasure and defeat the prize, but also to become wise and pure and therefore become a hero.
Since “super” means “above” then a superhero is one who goes on the hero’s quest with strength from above. This strength we call “grace”.
So is Pope Francis a superhero? By all means.
Yes! But so is every Christian who wins the prize and overcomes evil in their lives. All the saints are superheroes and all the Christians who have heard the call to truly follow Christ are on the heroic quest.
We’re a work in progress.
We’ve heard the call and set out on the great adventure of following Christ, until at last we overcome the world and enter into the realm of the superheroes
Fr. Dwight Longenecker
sábado, 4 de janeiro de 2014
Importância das virtudes
"A crise actual, com pesadas consequências na vida das pessoas, pode ser também uma ocasião propícia para recuperar as virtudes da prudência, temperança, justiça e fortaleza"
Mensagem para o dia Mundial da Paz. Papa Francisco 1-1-2014
sábado, 9 de novembro de 2013
Mais empenho na vida cristã
"Não é verdade que podes pôr mais empenho no trabalho, na piedade, no apostolado ?
(..)
Deus não nos pede coisas impossíveis: pede-nos decisão, confiança, abandono (...), heroísmo até nos detalhes mais pequenos.
(...)
Deus repetirá, neste nosso mundo os gestos (...) mas que fique bem claro que Ele faz tudo, quando a criatura da sua parte faz também tudo o que pode, ainda que esse todo seja praticamente nada"
D. Javier Echevarria. Bispo
Carta Pastoral de Novembro de 1995
(..)
Deus não nos pede coisas impossíveis: pede-nos decisão, confiança, abandono (...), heroísmo até nos detalhes mais pequenos.
(...)
Deus repetirá, neste nosso mundo os gestos (...) mas que fique bem claro que Ele faz tudo, quando a criatura da sua parte faz também tudo o que pode, ainda que esse todo seja praticamente nada"
D. Javier Echevarria. Bispo
Carta Pastoral de Novembro de 1995
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domingo, 25 de setembro de 2011
Os que fazem mais mal à Igreja são os cristão tíbios
Neste ponto, não devemos calar o facto de que o mal existe.
Vemo-lo em tantos lugares deste mundo; mas vemo-lo também – e isto assusta-nos – na nossa própria vida. Sim, no nosso próprio coração, existe a inclinação para o mal, o egoísmo, a inveja,
a agressividade.
Com uma certa autodisciplina, talvez isto se possa, em certa medida, controlar. Caso diverso e mais difícil se passa com formas de mal mais escondido, que podem envolver-nos como um nevoeiro indefinido, tais como a preguiça, a lentidão no querer e no praticar o bem.
Repetidamente, ao longo da história, pessoas atentas fizeram notar que o dano para a Igreja não vem dos seus adversários, mas dos cristãos tíbios.
Vemo-lo em tantos lugares deste mundo; mas vemo-lo também – e isto assusta-nos – na nossa própria vida. Sim, no nosso próprio coração, existe a inclinação para o mal, o egoísmo, a inveja,
a agressividade.
Com uma certa autodisciplina, talvez isto se possa, em certa medida, controlar. Caso diverso e mais difícil se passa com formas de mal mais escondido, que podem envolver-nos como um nevoeiro indefinido, tais como a preguiça, a lentidão no querer e no praticar o bem.
Repetidamente, ao longo da história, pessoas atentas fizeram notar que o dano para a Igreja não vem dos seus adversários, mas dos cristãos tíbios.
(...)
Uma vela só pode dar luz, se se deixar consumir pela chama; permaneceria inútil, se a sua cera não alimentasse o fogo.
Uma vela só pode dar luz, se se deixar consumir pela chama; permaneceria inútil, se a sua cera não alimentasse o fogo.
Permiti que Cristo arda em vós, ainda que isto possa às vezes implicar sacrifício e renúncia. Não tenhais medo de poder perder alguma coisa, ficando, no fim, por assim dizer de mãos vazias.
Tende a coragem de empenhar os vossos talentos e os vossos dotes pelo Reino de Deus e de vos dar a vós mesmos – como a cera da vela –, para que o Senhor ilumine, por vosso meio, a escuridão.
Sabei ousar ser santos ardorosos, em cujos olhos e coração brilha o amor de Cristo e que, deste modo, trazem luz ao mundo.
Papa Bento XVI
Discurso aos Jovens Friburgo em 24 de Setembro de 2011
Papa Bento XVI
Discurso aos Jovens Friburgo em 24 de Setembro de 2011
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terça-feira, 13 de setembro de 2011
Família e Matrimónio, caminho de santidade, na entrega e na caridade
O trabalho, a convivência, a relação quotidiana nas actividades mais transcendentes ou mais ordinárias, constituem a trama do exercício das virtudes que impregnam toda a vida doméstica.
A constância em levar por diante as próprias ocupações, a serenidade e afabilidade no trato com os outros, a sinceridade para reconhecer os próprios erros, a capacidade de compreender e perdoar, a fortaleza para corrigir os defeitos pessoais, a paciência consigo próprio e com os outros, o optimismo para ajudar a superar-se… são virtudes que, apoiando-se na fé, esperança e caridade, traduzem na vida dos filhos de Deus o quotidiano desenrolar da vida familiar.
Assim se expressa S. Josemaria: «A vida familiar, as relações conjugais, o cuidado e a educação dos filhos, o esforço por sustentar, manter e melhorar economicamente a família, as relações com as outras pessoas que constituem a comunidade social, tudo isso são situações humanas e correntes que os esposos cristãos devem sobrenaturalizar» Cfr. Josemaria Escrivá, Cristo que passa, n. 23.
Certamente qualquer comunicação de palavras e outras acções entre os cônjuges pode expressar a sua recíproca entrega e a positiva acção de serviço à vida: um sorriso, o olhar, uma amabilidade, uma palavra, um gesto, um serviço…
«Para santificar cada jornada, é necessário exercitar muitas virtudes cristãs, as teologais em primeiro lugar e, depois, todas as outras: a prudência, a lealdade, a sinceridade, a humildade, a laboriosidade, a alegria…» Cfr. Josemaria Escrivá, Cristo que passa, n. 23.
Todo o baptizado deve viver o próprio sacerdócio convertendo a sua existência num culto agradável a Deus Pai. «E como do sacramento derivam para os cônjuges o dom e a obrigação de viver quotidianamente a santificação recebida, assim nesse mesmo sacramento se fundamentam a graça e o dever de transformar toda a sua vida num contínuo sacrifício espiritual» Cfr João Paulo II, Exort. apost. Familiaris consortio, 21-XI-1981, n. 56.
Existe portanto uma característica específica do sacerdócio comum dos esposos cristãos: o modo peculiar de fazer da sua própria existência uma oferta espiritual.
(...) De agora em diante cada um deles não poderá viver a oferenda da sua existência a não ser como esposo e esposa e, portanto, como pai ou mãe, pelo menos potencialmente.
Por outras palavras, os cônjuges cristãos não podem viver a oferenda das próprias vidas a não ser no exercício da missão de esposos e pais, própria da sua identidade dentro do Povo de Deus. As virtudes humanas e cristãs fá-los-ão viver a vontade concreta de Deus em todas as actividades e deveres próprios, e descobrir neles a resposta de entrega como oferta grata a Deus por Jesus Cristo.
Toda a vida é, por conseguinte, exercício deste sacerdócio, e toda a vida estará cheia pela entrega ao cônjuge e aos filhos. Este é o seu modo peculiar e eficaz de construir a cidade dos homens e a cidade de Deus. Qualquer outra actividade ou ocupação, trabalho, descanso, vida de piedade e de relação social, encontra-se em estreita unidade com a ocupação fundamental que Deus estabeleceu como centro das suas vidas.
«Mas não esqueçam que o segredo da felicidade conjugal está no quotidiano, não em sonhos. Está em encontrar a alegria íntima que dá a chegada ao lar; está no convívio carinhoso com os filhos; no trabalho de todos os dias, em que colabora toda a família; no bom humor perante as dificuldades, que é preciso encarar com desportivismo» Josemaria Escrivá, Temas Actuais do Cristianismo. n. 91.D. Francisco Gil Hellín
Daqui
A constância em levar por diante as próprias ocupações, a serenidade e afabilidade no trato com os outros, a sinceridade para reconhecer os próprios erros, a capacidade de compreender e perdoar, a fortaleza para corrigir os defeitos pessoais, a paciência consigo próprio e com os outros, o optimismo para ajudar a superar-se… são virtudes que, apoiando-se na fé, esperança e caridade, traduzem na vida dos filhos de Deus o quotidiano desenrolar da vida familiar.
Assim se expressa S. Josemaria: «A vida familiar, as relações conjugais, o cuidado e a educação dos filhos, o esforço por sustentar, manter e melhorar economicamente a família, as relações com as outras pessoas que constituem a comunidade social, tudo isso são situações humanas e correntes que os esposos cristãos devem sobrenaturalizar» Cfr. Josemaria Escrivá, Cristo que passa, n. 23.
Certamente qualquer comunicação de palavras e outras acções entre os cônjuges pode expressar a sua recíproca entrega e a positiva acção de serviço à vida: um sorriso, o olhar, uma amabilidade, uma palavra, um gesto, um serviço…
«Para santificar cada jornada, é necessário exercitar muitas virtudes cristãs, as teologais em primeiro lugar e, depois, todas as outras: a prudência, a lealdade, a sinceridade, a humildade, a laboriosidade, a alegria…» Cfr. Josemaria Escrivá, Cristo que passa, n. 23.
Todo o baptizado deve viver o próprio sacerdócio convertendo a sua existência num culto agradável a Deus Pai. «E como do sacramento derivam para os cônjuges o dom e a obrigação de viver quotidianamente a santificação recebida, assim nesse mesmo sacramento se fundamentam a graça e o dever de transformar toda a sua vida num contínuo sacrifício espiritual» Cfr João Paulo II, Exort. apost. Familiaris consortio, 21-XI-1981, n. 56.
Existe portanto uma característica específica do sacerdócio comum dos esposos cristãos: o modo peculiar de fazer da sua própria existência uma oferta espiritual.
(...) De agora em diante cada um deles não poderá viver a oferenda da sua existência a não ser como esposo e esposa e, portanto, como pai ou mãe, pelo menos potencialmente.
Por outras palavras, os cônjuges cristãos não podem viver a oferenda das próprias vidas a não ser no exercício da missão de esposos e pais, própria da sua identidade dentro do Povo de Deus. As virtudes humanas e cristãs fá-los-ão viver a vontade concreta de Deus em todas as actividades e deveres próprios, e descobrir neles a resposta de entrega como oferta grata a Deus por Jesus Cristo.
Toda a vida é, por conseguinte, exercício deste sacerdócio, e toda a vida estará cheia pela entrega ao cônjuge e aos filhos. Este é o seu modo peculiar e eficaz de construir a cidade dos homens e a cidade de Deus. Qualquer outra actividade ou ocupação, trabalho, descanso, vida de piedade e de relação social, encontra-se em estreita unidade com a ocupação fundamental que Deus estabeleceu como centro das suas vidas.
«Mas não esqueçam que o segredo da felicidade conjugal está no quotidiano, não em sonhos. Está em encontrar a alegria íntima que dá a chegada ao lar; está no convívio carinhoso com os filhos; no trabalho de todos os dias, em que colabora toda a família; no bom humor perante as dificuldades, que é preciso encarar com desportivismo» Josemaria Escrivá, Temas Actuais do Cristianismo. n. 91.D. Francisco Gil Hellín
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sábado, 6 de agosto de 2011
A virtude da prudência como guia para a caridade
Ponto 1806 do Catecismo da Igreja Católica:
"A prudência é a virtude que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer
circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo. "O homem sagaz discerne os seus passos" (Pr 14,15).
(...) A prudência é a "regra certa da ação", escreve Sto. Tomás citando Aristóteles. Não se confunde com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação.
É chamada "auriga virtutum" ("cocheiro", isto é "portadora das virtudes"), porque, conduz as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida (...)"
"A prudência é a virtude que dispõe a razão prática a discernir, em qualquer
circunstância, nosso verdadeiro bem e a escolher os meios adequados para realizá-lo. "O homem sagaz discerne os seus passos" (Pr 14,15).
(...) A prudência é a "regra certa da ação", escreve Sto. Tomás citando Aristóteles. Não se confunde com a timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação.
É chamada "auriga virtutum" ("cocheiro", isto é "portadora das virtudes"), porque, conduz as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida (...)"
"O homem prudente, que se esforça por realizar tudo aquilo que é verdadeiramente bom, esforça-se por medir tudo – toda situação e todo o seu agir – pelo metro do bem moral.
(...)
E todos os que quiserem que o novo Papa seja um Pastor prudente da Igreja, implorem o dom de conselho para ele e também para si próprios, confiando na especial intercessão da Mãe do Bom Conselho"
Beato João Paulo II
Audiência de 25 de Outubro de 1978
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sexta-feira, 3 de junho de 2011
Forte no cumprimento do dever
O caminho do cristão, o de qualquer homem, não é fácil. Certo é que em determinadas épocas parece que tudo se cumpre segundo as nossas previsões; mas isto habitualmente dura pouco. Viver é defrontar dificuldades, sentir no coração alegrias e pesares; e é nesta forja que o homem pode adquirir a fortaleza, a paciência, a magnanimidade e a serenidade.
É forte quem persevera no cumprimento do que entende dever fazer, segundo a sua consciência; quem não mede o valor de uma tarefa exclusivamente pelos benefícios que recebe, mas pelo serviço que presta aos outros. O homem forte às vezes sofre, mas resiste; talvez chore, mas traga as lágrimas. Quando a contradição aumenta, não se curva. (Amigos de Deus, 77)
S. José Maria Escrivá de Balaguer
É forte quem persevera no cumprimento do que entende dever fazer, segundo a sua consciência; quem não mede o valor de uma tarefa exclusivamente pelos benefícios que recebe, mas pelo serviço que presta aos outros. O homem forte às vezes sofre, mas resiste; talvez chore, mas traga as lágrimas. Quando a contradição aumenta, não se curva. (Amigos de Deus, 77)
S. José Maria Escrivá de Balaguer
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Como ser um líder virtuoso
Permalink: http://www.zenit.org/article-18132?l=portuguese
Entrevista com Alexandre Havard
Por Miriam Díez i Bosch
Entrevista com Alexandre Havard
Por Miriam Díez i Bosch
ROMA, segunda-feira, 14 de abril de 2008 (ZENIT.org).- Os líderes não nascem, eles se tornam líderes. E a liderança não é algo reservado às elites, mas uma vocação generalizada. Estas são idéias promovidas pelo diretor do Centro Europeu para o Desenvolvimento da Liderança (European Center for Leadership Development), Alexandre Havard.
Este empreendedor conta à Zenit que quanto mais profundamente se vivem as virtudes, mais se pode mudar a cultura.
Havard idealizou o programa executivo titulado «Liderança virtuosa», que converte as virtudes clássicas como base para a excelência pessoal e profissional.
Sua experiência está agora recolhida em um livro em inglês, «A liderança virtuosa», uma agenda para a excelência pessoal» («Virtuous Leadership: An Agenda for Personal Excellence», Scepter).
–Os líderes: nascem ou se formam?
–Havard: A liderança é questão de caráter. O caráter é algo que podemos configurar, moldar e fortalecer. Fortalecemos nosso caráter através da pratica habitual de hábitos morais saudáveis, chamados virtudes éticas ou morais. As virtudes são qualidades da mente, da vontade e do coração. Nós as adquirimos com nossos esforços. O ato próprio para adquiri-las é um ato de liderança.
O caráter não é o temperamento. O temperamento é inato, é um produto da natureza. Pode ajudar no desenvolvimento de algumas virtudes e impedir outras. Se sou apaixonado por natureza, pode parecer-me relativamente fácil a prática da valentia, mas se sou reticente, pode ser que a coragem se converta para mim em um autêntico desafio. Contudo, precisamente meus defeitos de temperamento me fazem consciente de que devo lutar para superá-los. Deste modo, os defeitos se convertem em força moral.
As virtudes imprimem caráter em nosso temperamento, de modo que este já não nos domina. Se me faltam virtudes, serei um escravo de meu temperamento. As virtudes regulam o temperamento. Uma pessoa impulsiva, inspirada pela virtude da prudência, converte-se em mais reflexiva. A pessoa ansiosa e duvidosa, inspirada pela mesma virtude, sente-se impulsionada a atuar e a não demorar. As virtudes estabilizam nossa personalidade e relegam as manifestações extremas.
O temperamento não tem que ser um obstáculo para a liderança. O obstáculo real é a falta de caráter, que nos deixa rapidamente secos, sem energia moral, e bastante incapazes para exercer a liderança.
Há quem pensa que se tem que ter nascido líder, que alguns têm um dom especial e outros não, que a liderança é algo ligado ao temperamento ou à experiência. Nem todos podem ser Roosevelt ou um De Gaule ou um Churchill, pensam. Nada mais longe da verdade. A liderança não está reservada a uma elite. Não é uma vocação de poucos. Chefes de estado, professores, profissionais industriais, donas de casa, responsáveis militares, agentes de saúde, todos exercem a liderança.
As pessoas esperam que façam o justo, que sejam homens e mulheres de caráter e virtude, motivados por uma visão magnânima para com as pessoas que têm a seu cargo. E se sentem defraudados se falham. Os líderes têm de ser virtuosos para serem líderes reais e, já que a virtude é um hábito que se adquire com a prática, dizemos que os líderes não nascem, eles se fazem.
–O que significa que o caráter é a virtude em ação?
–Havard: Que as virtudes são mais que simples valores. As virtudes são forças dinâmicas. De fato, sua raiz em latim, «virtus», vem de força ou poder. Cada uma, se é praticada habitualmente, reafirma progressivamente a própria capacidade para atuar.
Em meu livro me refiro a seis virtudes. A magnanimidade, para lutar por coisas grandes e propor desafios a si mesmo e aos demais. A humildade, para superar o egoísmo e acostumar-se a servir os outros. A prudência, para tomar decisões justas. A valentia, para manter-se e resistir a todo tipo de pressões. O autocontrole, para subordinar as paixões ao espírito e ao cumprimento da missão, e a justiça, para dar a cada um o que merece.
Os líderes são magnânimos em seus sonhos, visões e sentido de missão, em sua capacidade para esperar, confiança e ousadia, em seu entusiasmo pelo esforço que requer o êxito em seu trabalho. Também em sua propensão para usar meios proporcionados a seus objetivos, em sua capacidade para lançar desafios a si mesmos e aos que têm ao redor. A magnanimidade do líder está dirigida a servir os outros, sua família, clientes, colegas, seu país e toda a humanidade.
Esta nobre ambição para servir é um dos frutos da linda virtude da humildade. As virtudes não tomam o lugar da competência profissional, mas são parte desta.
Posso ter um diploma em psicologia e trabalhar como consultor, mas se não tenho prudência, eu me encontrarei com dificuldades para dar conselho a meus clientes.
Posso ter um MBA [mestrado em administração de empresas] e ser um executivo de uma grande corporação, muito bem, mas se não tenho valentia, minha capacidade para liderar ante a dificuldade deixa a desejar. A competência profissional exige mais que possuir técnicas ou conhecimentos acadêmicos; implica a capacidade para usar este conhecimento para que dê frutos.
–Qualquer pessoa é capaz de adquirir e crescer nas virtudes?
–Havard: Nem todo mundo se converte em presidente ou primeiro-ministro, nem pode ganhar o Prêmio Nobel de Literatura ou jogar nos New York Yankees. Mas todo mundo pode crescer na virtude. A liderança não exclui ninguém. A virtude é um hábito e se adquire por repetição.
Se atuarmos com valentia repetidamente, no final o faremos como um costume. Se repetidamente atuamos com humildade, ela se converterá em uma ação habitual. A infância e a adolescência desempenham um papel muito importante em nossas opções futuras. Nossos pais nos influenciam para discernir entre o bem e o mal. Mas o crescimento por si só e a formação não determinam o caráter. Não é raro que crianças que tenham crescido na mesma família usem a liberdade de maneira diferente e se convertam em pessoas muito diferentes.
Como o temperamento, nosso meio cultural pode nos ajudar a desenvolver certas virtudes. Em uma sociedade marcada pela sensualidade, pode ser duro cultivar virtudes como o autocontrole e a valentia.
Pode ser duro viver virtuosamente no contexto cultural atual, mas não é impossível. A capacidade de dizer «não» nos confere um grande poder. Somos livres para decidir até que ponto deixamos que a cultura atual nos afete. Escolhemos livremente ser o que somos. Vício ou virtude? Depende de nós. A virtude implica e depende da liberdade. Não se pode forçar, é algo que escolhemos livremente. Se as praticamos assiduamente, o caminho para a liderança está aberto. A liderança começa quando usamos nossa responsabilidade livremente.
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